Irã avalia enriquecer urânio a 90% se EUA atacarem novamente
Irã avalia urânio a 90% se EUA atacarem

O parlamento do Irã anunciou que avaliará a possibilidade de enriquecer urânio a 90% caso os Estados Unidos voltem a atacar o país. A informação foi divulgada pelo porta-voz do parlamento, Ebrahim Rezaei, em sua conta na rede social X. O urânio com 90% de pureza é considerado adequado para a produção de armas nucleares.

“Uma das opções do Irã em caso de outro ataque poderia ser o enriquecimento de 90%. Vamos analisar isso no parlamento”, escreveu Rezaei. A declaração ocorre em meio ao aumento da tensão na região, diante de novos impasses nas negociações de paz no Oriente Médio.

Reunião de emergência nos EUA

Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira (11) pelo site Axios, com base em fontes do governo americano, o presidente Donald Trump convocou sua cúpula para uma reunião de emergência ainda hoje para discutir os próximos passos na guerra contra o Irã. As negociações para o fim do conflito chegaram a um novo impasse após o Irã reafirmar sua proposta apresentada no fim de semana.

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No domingo, Trump classificou como “inaceitáveis” as condições impostas por Teerã. No entanto, nesta manhã, o governo iraniano voltou a defender sua proposta e afirmou que não recuará. O Axios informa que Trump colocará novas propostas sobre a mesa diante do impasse. Fontes ouvidas pelo site indicam que o presidente americano considera retomar os ataques ao território iraniano, que estão em pausa devido a um cessar-fogo que Trump disse estar “por um fio”.

Proposta iraniana

Após as críticas de Trump, o Irã defendeu nesta segunda-feira sua proposta para encerrar a guerra com os Estados Unidos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, afirmou que o texto elaborado por Teerã é “legítimo e generoso”. “Nosso pedido é legítimo: exigir o fim da guerra, o levantamento do bloqueio e da pirataria e a liberação dos ativos iranianos que foram injustamente congelados em bancos devido à pressão americana”, disse Baghaei.

Ele também mencionou a “passagem segura pelo Estreito de Ormuz e o estabelecimento da segurança na região e no Líbano” como demandas do Irã, consideradas uma “oferta generosa e responsável para a segurança regional”. O porta-voz acrescentou que os EUA mantêm exigências “irracionais e unilaterais”.

Principais pontos da proposta iraniana

  • Fim da guerra e segurança: O Irã defende o fim do conflito em todas as frentes, incluindo a guerra entre Israel e Hezbollah no Líbano, e solicita garantias formais de que não sofrerá novos ataques.
  • Soberania territorial: O documento destaca a soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz.
  • Suspensão de sanções: A proposta pede a suspensão, por 30 dias, das sanções dos EUA via Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) sobre a venda de petróleo iraniano e o término do bloqueio naval.
  • Compensações financeiras: O Irã requer indenizações pelos danos causados durante a guerra.
  • Destino do urânio: O plano sugere diluir parte do urânio altamente enriquecido e transferir o restante para um terceiro país, segundo o jornal The Wall Street Journal.
  • Cláusula de devolução: O Irã exige garantias de que esse urânio seja devolvido ao país caso as negociações fracassem ou os EUA abandonem o acordo.
  • Instalações nucleares: O país aceita suspender o enriquecimento de urânio por um prazo menor do que os 20 anos propostos pelos EUA, mas rejeita desmantelar suas instalações.

Exigências dos EUA

Os Estados Unidos exigiam originalmente o cancelamento total do programa de enriquecimento de urânio iraniano, que pode ser usado para bombas atômicas. Teerã alega que o programa tem fins civis. Após a guerra e a resistência iraniana, Washington flexibilizou a exigência, passando a pedir a suspensão do programa por 20 anos, o que o Irã também rejeita. Os EUA também pediram a desativação total das principais usinas nucleares iranianas.

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Quanto ao Estreito de Ormuz, os EUA exigem garantias de que o Irã não voltará a fechar o canal, que passaria a ter supervisão internacional. Em troca, haveria suspensão de sanções. Além disso, Washington queria impor limites à produção de mísseis iranianos e exigia que o Irã deixasse de financiar grupos como Hamas e Hezbollah. Teerã rejeitou esses pontos.

Reação de Trump

No domingo (10), Trump classificou as condições iranianas como “totalmente inaceitáveis”. “Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gosto. TOTALMENTE INACEITÁVEL”, escreveu em sua rede Truth Social. O impasse deixa as negociações indefinidas mais de um mês após o cessar-fogo de 8 de abril, que visava pausar os ataques enquanto se negociava o fim da guerra iniciada em 28 de fevereiro por Israel e EUA contra o Irã. A incerteza fez o petróleo subir novamente nesta segunda-feira.