Contra alguém determinado a matar, até os mais experientes profissionais de segurança do mundo correm o risco de errar. E por pouco um erro não virou tragédia no jantar com jornalistas do presidente Donald Trump, no qual o maior perigo pareceria ser as piadas cáusticas que nunca foram contadas. Em vez disso, o professor Cole Allen, de 31 anos, conseguiu montar uma arma longa num local muito próximo do salão principal e tentou passar correndo por um dos postos de segurança. Chegou a atirar contra um guarda-costas, salvo pelo colete à prova de balas.
Cenas de pânico no hotel
As cenas que todo mundo viu mostram que Trump era um alvo ideal, sentado numa mesa no palco do salão de festas do hotel onde Allen se hospedou, aparentemente sem maiores restrições. “Foi traumático para Melania”, disse Trump, resumindo a reação da mulher ao ouvir os tiros e ver seguranças do Serviço Secreto saltando sobre mesas para tirar as autoridades do local. Não foi uma retirada heróica, como a do atentado no comício de Butler, quando Trump se ergueu de punho fechado, com o rosto ensanguentado pelo tiro de raspão na orelha direita. Muitos acreditam que Trump ganhou a eleição presidencial naquele momento, com a atitude desafiadora que impressionou nomes como Elon Musk e Mark Zuckerberg.
Erros repetidos do Serviço Secreto
Os erros cometidos no atentado da Pensilvânia, com falhas básicas como a interdição de um prédio com uma linha direta para o palanque, utilizado pelo jovem Thomas Crooke, de 20 anos, para improvisar um posto de franco-atirador, provocaram demissões no Serviço Secreto, inclusive de sua diretora. O debate está longe de encerrado. Também continua faltando um perfil mais definitivo de Crooke, aparentemente movido por um desejo de vingança forjado no relacionamento com a pessoa que se proclamava mulher trans com quem morava. Outro maluco, Ryan Wesley Routh, de 58 anos, tentou matar Trump antes da eleição, montando uma tocaia junto à cerca de seu campo de golfe em West Palm Beach.
Lições do passado
O assassinato de Yitzhak Rabin, em 4 de novembro de 1995, mostrou que nem uma segurança extremamente reputada como a israelense impediu um fanático de fuzilar o primeiro-ministro a quem odiava por tentar uma solução negociada com concessões territoriais para o conflito com os palestinos. Nada se compara a tentar matar um presidente diante de todos os principais jornalistas do país, dividido entre duas atitudes: jogar-se debaixo das mesas, onde as entradas tinham acabado de ser servidas, ou subir nelas para ver os desdobramentos de um acontecimento monumental, a terceira tentativa de assassinato de Donald Trump, bem ali do lado deles. Três, definitivamente, é demais, mesmo que a segurança tenha funcionado e impedido que o atacante chegasse ao objetivo final.



