Na província de Ituri, na República Democrática do Congo (RDC), onde se localiza o epicentro do atual surto de Ebola, um grupo de habitantes invadiu um hospital exigindo o corpo de um líder religioso que morreu em decorrência do vírus. O incidente ocorreu no domingo à noite, conforme informações das autoridades divulgadas nesta segunda-feira (25).
Ataque ao hospital em Mongbwalu
Em Mongbwalu, uma importante cidade da província de Ituri, no nordeste do país, foi detectado pela primeira vez o atual surto da febre hemorrágica viral em 15 de maio. Desde então, o vírus já matou mais de 200 pessoas na RDC. De acordo com um funcionário do hospital, que pediu anonimato, "um grupo de jovens atacou o hospital em quatro ocasiões" durante a noite de domingo. O objetivo era "recuperar o corpo de um pastor católico que havia morrido de Ebola". A vítima era "muito conhecida, um líder religioso de Mongbwalu", cidade com cerca de 130 mil habitantes. Soldados foram acionados e dispersaram a multidão com disparos de advertência.
Contexto do surto de Ebola
O Ebola é uma doença viral mortal transmitida por contato direto com fluidos corporais, podendo causar hemorragias graves e falência de múltiplos órgãos. Não há vacina nem tratamento específico para a cepa Bundibugyo, responsável pelo surto atual, que é o 17º a afetar a RDC, um país de mais de 100 milhões de habitantes. As medidas de prevenção dependem principalmente de precauções e do rápido rastreamento de contatos.
Em zonas rurais da RDC, é comum que familiares toquem os corpos e as roupas dos falecidos durante rituais funerários que reúnem muitas pessoas, o que aumenta o risco de contágio, conforme explicou à AFP Jean Marie Ezadri, líder da sociedade civil em Ituri.
Outros ataques a centros médicos
O centro médico de Mongbwalu não foi o primeiro a ser atacado na província. Na quinta-feira anterior, várias pessoas incendiaram tendas usadas para isolar pacientes com Ebola no hospital de Rwampara, após a família de uma pessoa morta ter sido proibida de levar o corpo para enterrá-lo, devido ao risco de contágio.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que é "provável" que o surto de Ebola se agrave, e já registra 220 mortes suspeitas relacionadas ao vírus.



