Estudantes da Unicamp em Limeira entram em greve geral por moradia e melhorias
Unicamp Limeira: greve geral por moradia estudantil

Estudantes da Unicamp em Limeira iniciam greve geral

Estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no campus de Limeira (SP), entraram em greve geral nesta terça-feira (5) e suspenderam as aulas de graduação a partir de quarta-feira (6). A paralisação foi aprovada em assembleia e conta com a adesão de aproximadamente 3 mil alunos da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) e da Faculdade de Tecnologia (FT), conforme informou Víctor Guglielmoni, representante do Diretório Acadêmico (DA).

Principais reivindicações

O principal pedido dos estudantes é a criação de uma moradia estudantil no campus de Limeira. Além disso, eles também reivindicam:

  • Bolsas e ações para garantir a permanência estudantil
  • Melhorias no transporte dentro e entre os campi
  • Acesso a serviços de saúde especializada e saúde mental
  • Implantação do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVES), já existente em Campinas
  • Espaço físico para centros acadêmicos e diretórios
  • Fim da terceirização de serviços
  • Contra a autarquização do Hospital de Clínicas

Segundo o representante do Diretório Acadêmico, a greve só será encerrada após uma resposta direta da Unicamp sobre todas as oito pautas, com prioridade para a moradia estudantil.

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Posicionamento da Unicamp

Em nota, a Unicamp informou que mantém diálogo com os estudantes e as direções das faculdades de Limeira. A universidade afirmou que prioriza políticas de permanência, como moradia, transporte e auxílios, e que busca melhorias dentro do orçamento disponível. A reitoria destacou ainda que valoriza o ambiente acadêmico e a formação dos alunos.

Estopim da greve

O motivo que desencadeou a greve foi a falta de resposta às reivindicações na reunião do Conselho de Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), realizada na segunda-feira (4), de acordo com o representante do DA. O Cruesp é composto pelos reitores da Universidade de São Paulo (USP), Unicamp e Universidade Estadual Paulista (Unesp), além dos secretários de Desenvolvimento Econômico e da Educação. Atualmente, o conselho é presidido por Paulo Cesar Montagner, reitor da Unicamp.

“A pauta estudantil não foi colocada na mesa de negociação na última sessão do Cruesp. Percebemos que a pauta estudantil estava sendo deixada de lado [...] então, vimos a necessidade de fazer uma movimentação maior”, afirmou Guglielmoni.

Como funciona a greve?

A greve suspende as aulas de graduação, mas mantém o acesso a bibliotecas, laboratórios, grupos de estudo e atividades de pesquisa. Segundo Guglielmoni, piquetes estão sendo realizados para garantir a paralisação das aulas, mas outras atividades seguem normalmente. O movimento grevista enviou comunicados às diretorias das faculdades informando sobre o protesto. Em alguns casos, como na FCA, a diretoria acatou a paralisação e orientou os professores a não darem aula, mas há relatos de embates com docentes.

Moradia estudantil

O reitor Paulo Cesar Montagner anunciou estudos para construir alojamentos no campus em agosto de 2025. No entanto, segundo Guglielmoni, ainda não há grupo técnico para o projeto. O representante do DA criticou a destinação de recursos para um monumento a Oscar Niemeyer no campus, enquanto a moradia estudantil carece de verbas. “Eles dizem que não temos verba, não temos recurso para fazer a moradia acontecer. Mas, para construir um monumento, já existe mobilização e concessão em andamento”, afirmou.

Moradia mais cara

Outro problema apontado é o aumento do custo de vida no entorno do campus, impulsionado pela especulação imobiliária. Atualmente, 452 estudantes recebem Bolsa Auxílio Moradia, no valor de R$ 725 mensais, mas o benefício não cobre todos os gastos. “Existe uma especulação imobiliária muito grande na região, além da gentrificação. A estrutura ao redor da cidade universitária, onde há mais moradias para estudantes, está ficando cada vez mais cara. A vida do estudante se torna muito cara”, explicou Guglielmoni.

Gentrificação: transformação urbana em que bairros populares ou degradados recebem investimentos que valorizam imóveis e elevam o custo de vida.

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Transporte

Os alunos também reclamam do sucateamento do transporte interno. Segundo Guglielmoni, ônibus foram substituídos por micro-ônibus e, depois, por vans. Há atrasos frequentes e o aplicativo de rastreamento não funciona. O ônibus entre Limeira e Barão Geraldo exige reserva antecipada, dificultando o uso em emergências.

Saúde

Na área da saúde, os estudantes pedem mais acesso a especialidades médicas e ampliação do Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica (SAP). Guglielmoni afirmou que o campus de Limeira não tem agenda fixa para atendimento, ao contrário da unidade em Campinas.