Semana decisiva: Focus, balanço da Petrobras e encontro Trump-Xi
Semana decisiva: Focus, Petrobras e encontro Trump-Xi

A semana se inicia com grande expectativa nos mercados financeiros do Brasil e do mundo. Nesta segunda-feira, foi divulgada a Pesquisa Focus do Banco Central, realizada na sexta-feira, 8 de maio, com 159 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa. O destaque fica por conta do balanço trimestral da Petrobras, que será publicado após o fechamento dos mercados, e da divulgação do IPCA de abril pelo IBGE, na véspera do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos.

Contexto internacional e encontro Trump-Xi

Em meio à trégua no conflito do Golfo Pérsico, o Irã rejeitou novamente a proposta de cessar-fogo dos Estados Unidos, o que elevou em 2,61% a cotação do contrato futuro do petróleo Brent para julho, atingindo US$ 103,85. Os mercados globais aguardam o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, marcado para esta quarta-feira em Pequim. Muitas questões comerciais estão em suspenso, e os agentes econômicos esperam que a reunião abra caminho para a paz no Oriente Médio, região crucial para o abastecimento energético da China.

Dólar em baixa e yuan em alta

Curiosamente, Trump chega ao encontro com o dólar desvalorizado e o yuan em alta de 0,11% no dia, 0,44% na semana, 30 dias e 4,72% em seis meses. O câmbio desvalorizado torna os produtos americanos mais atrativos e os importados mais caros, gerando pressão inflacionária, algo que antes se esperava alcançar por meio de tarifas.

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IPCA de abril e projeções

A Pesquisa Focus prevê alta de 0,69% a 0,68% para o IPCA de abril, abaixo dos 0,88% de março. A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 4,89% para 4,91% (mediana de 4,95% nos últimos cinco dias úteis). Como o índice está muito acima do teto da meta de inflação (4,50%), e as projeções para 2027 seguem acima da meta (4,00% e 3,90% nos últimos cinco dias úteis), a Selic foi mantida em 13,00% para dezembro, mas a mediana dos últimos cinco dias úteis já aponta para 13,25%, nível adotado pelo Banco Daycoval. O Itaú também prevê esse patamar e deve apresentar novo cenário nos próximos dias.

Dólar no menor valor desde novembro de 2023

O real apresentou nova valorização de 0,09% frente ao dólar, cotado a R$ 4,8907 às 11:53 (horário de Brasília), a menor cotação desde novembro de 2023. A alta do petróleo está levando a revisões para cima na balança comercial. O Itaú prevê US$ 80 bilhões, acima dos US$ 75 bilhões da mediana da Focus, que reduziu o saldo para US$ 70,85 bilhões nos últimos cinco dias úteis. O cenário ficará mais claro após a decisão entre Trump e Xi Jinping.

Expectativas para a Petrobras

Em meio ao turbilhão para equilibrar a alta dos preços internacionais do petróleo e dos combustíveis sem contaminar a inflação (em ano eleitoral, os EUA cogitam eliminar o imposto da gasolina; no Brasil, já houve isenções no diesel, mas ainda falta definição para a gasolina, item de maior peso entre os 377 pesquisados pelo IBGE), a Petrobras divulga nesta noite, após o fechamento dos mercados no Brasil e em Nova York, os resultados financeiros do primeiro trimestre, já com o impacto de um mês de guerra.

Por volta do meio-dia, as ações PN da Petrobras subiam 0,46%. As atenções se voltam para o que indicarão os diretores na apresentação aos analistas amanhã. A empresa se beneficia da alta do petróleo exportado e da baixa do dólar, que reduz o endividamento e ajuda a manter os preços dos combustíveis abaixo dos internacionais, já que extrai mais de 70% do petróleo do pré-sal a menos de US$ 22 por barril. Os analistas estimam um EBITDA entre US$ 11,5 bilhões e US$ 13,5 bilhões. O EBITDA costuma ser superior ao lucro líquido, que inclui todas as despesas. Para comparação, a Shell lucrou pouco menos de US$ 7 bilhões no trimestre. O mercado espera dividendos entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,4 bilhões.

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Resultados do BTG-Pactual e sistema financeiro

Com a divulgação dos resultados do Banco do Brasil na quarta-feira, após o fechamento do mercado, e do BTG-Pactual apresentado hoje pela manhã, será possível uma radiografia do sistema financeiro antes do Desenrola (falta apenas a Caixa Econômica Federal entre os grandes). O BTG-Pactual, rebatizado após ser recomprado por André Esteves ao UBS em 2009, está cumprindo a promessa de ser melhor que o Goldman Sachs. Seu lucro líquido de R$ 4,808 bilhões o distancia mais de R$ 1 bilhão dos R$ 3,788 bilhões do Santander Brasil, e fica R$ 2 bilhões abaixo dos R$ 6,811 bilhões do Bradesco. O Itaú segue na liderança, com R$ 11,623 bilhões de ganhos no país.