Salvador ocupa a 4ª posição entre as capitais brasileiras com pior qualidade de vida, segundo o relatório do Índice de Progresso Social (IPS) de 2026. Divulgado nesta quarta-feira (20), o estudo aponta que a capital baiana ficou atrás apenas de Porto Velho (RO), Macapá (AP) e Maceió (AL). Com um IPS médio geral de 62,18, Salvador está abaixo da média nacional, que é de 63,40.
Necessidades básicas em foco
O pior desempenho de Salvador está no pilar das necessidades humanas básicas, que inclui nutrição, cuidados médicos, saneamento, moradia e segurança pessoal. Para entender as razões dessa posição negativa, o g1 ouviu os sociólogos Ailton Ferreira, especialista em comunicação e cidadania, e Rosival Carvalho, professor de Direito da Universidade Católica do Salvador. Ambos apontam a segurança como ponto central.
Impacto da violência na vida noturna e no turismo
Rosival Carvalho relaciona o crescimento de organizações criminosas ao aumento da violência em Salvador. Para ele, a qualidade de vida é afetada diretamente, com trocas de tiros e mortes, e indiretamente, no acesso ao lazer. "Não existe vida noturna em Salvador, o que é um reflexo natural de uma cidade refém da violência", avaliou. Ailton Ferreira concorda que a insegurança tem reduzido a vida noturna e levado ao fechamento de comércios, impactando também o turismo. Ele defende que a solução não é aumentar o efetivo policial, mas sim oferecer acesso à cultura, lazer e esportes como projeto de longo prazo. "Não existe lugar violento, existe lugar violentado. Existem bairros em Salvador violentados por ausências, sem praças, quadras ou lazer", afirmou.
Custo de vida elevado e desigualdade
Outro fator destacado pelos especialistas é o custo de vida. Salvador liderou o aumento no preço médio de imóveis residenciais no Brasil em 2025, segundo o Índice FipeZAP. Ao mesmo tempo, o Censo 2022 do IBGE mostrou que 42,7% dos soteropolitanos viviam em favelas, a terceira maior proporção entre as capitais. "O poder aquisitivo da população é baixo e o custo de vida é elevadíssimo; a conta não fecha", analisou Carvalho. Essa combinação pode estar impulsionando a evasão populacional: em 2022, Salvador registrou o pior índice de saída de moradores entre as capitais brasileiras.
Metodologia do IPS
O IPS é composto por 57 indicadores divididos em três grupos: Necessidades Humanas Básicas (alimentação, saúde, moradia, segurança); Fundamentos do Bem-Estar (acesso à educação, vida saudável, contato com a natureza); e Oportunidades (direitos individuais e acesso ao ensino superior). O estudo é realizado pelo Instituto IPS, Social Progress Imperative, Imazon, Amazônia 2030, Fundación Avina e Centro de Empreendedorismo da Amazônia, abrangendo todos os 5.570 municípios brasileiros.
Ranking das capitais
- Curitiba (PR) - 71,29
- Brasília (DF) - 70,23
- São Paulo (SP) - 70,64
- Campo Grande (MS) - 69,77
- Belo Horizonte (MG) - 69,66
- Goiânia (GO) - 69,47
- Palmas (TO) - 68,91
- Florianópolis (SC) - 68,73
- João Pessoa (PB) - 67,73
- Cuiabá (MT) - 67,22
- Rio de Janeiro (RJ) - 67,00
- Porto Alegre (RS) - 66,94
- Natal (RN) - 66,82
- Aracaju (SE) - 66,35
- Vitória (ES) - 66,02
- Teresina (PI) - 66,02
- São Luís (MA) - 65,64
- Fortaleza (CE) - 65,15
- Boa Vista (RR) - 64,49
- Manaus (AM) - 63,91
- Belém (PA) - 63,90
- Rio Branco (AC) - 63,44
- Recife (PE) - 63,22
- Salvador (BA) - 62,18
- Maceió (AL) - 61,96
- Macapá (AP) - 59,65
- Porto Velho (RO) - 58,59



