Região de Ribeirão Preto tem baixo desempenho em oportunidades no IPS 2026
Região de Ribeirão Preto tem baixo desempenho em oportunidades

O Índice de Progresso Social (IPS 2026) divulgado esta semana revela que 49 das 66 cidades da região de Ribeirão Preto (SP) obtiveram nota inferior à média nacional no critério “oportunidades”. Esse quesito avalia a estrutura dos municípios para prover direitos, inclusão social e acesso ao ensino superior. As cidades da região ficaram com avaliação abaixo de 46,82, considerando indicadores como direitos e liberdades individuais, paridade de gênero na Câmara e violência contra mulheres e negros.

Análise do especialista

O professor Gustavo Mattar, especialista em gestão pública, destaca que o ponto mais grave é a inclusão social. “Alguns grupos são esquecidos pelas políticas públicas, como mulheres e negros, e um dos pontos relacionados a isso está na falta de representatividade deles nas câmaras municipais do interior paulista”, analisa.

O que é o IPS

O IPS é uma avaliação dividida em três eixos básicos: atendimento a necessidades básicas, fundamentos de bem-estar e oportunidades. Ele contempla 57 indicadores sociais e ambientais, utilizando exclusivamente dados públicos divulgados entre 2021 e 2025. Diferente de indicadores como PIB e IDH, o IPS se baseia nos resultados da vida da população, e não nos investimentos municipais.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

“Além do investimento público, é preciso uma boa gestão das políticas públicas para que tenham resultado efetivo. O índice mede se realmente atendeu a população, não os gastos”, explica Mattar.

Bom índice geral, mas baixo em oportunidades

No índice geral do IPS, apenas 4 das 66 cidades da região ficaram abaixo da média nacional de 63,4. No entanto, no critério “oportunidades”, a maioria teve notas inferiores. Segundo Mattar, isso pode estar relacionado ao padrão orçamentário dos municípios, que privilegiam áreas essenciais como saúde e educação básica, deixando menos recursos para cultura, esporte e lazer.

“A pressão da população por necessidades básicas e a questão orçamentária fazem com que sobre pouco recurso para outras áreas. Os secretários municipais precisam ser criativos para envolver a população com atividades, mesmo com baixo orçamento e pouca infraestrutura”, afirma.

Eixos do critério oportunidades

O critério “oportunidades” tem quatro eixos:

  • Direitos individuais: programas de direitos humanos, índice de atendimento à demanda de Justiça e resposta a processos previdenciários.
  • Liberdades individuais e de escolha: acesso a cultura, lazer e esporte, gravidez na adolescência, vulnerabilidade de famílias do Cadastro Único, praças e parques urbanos.
  • Inclusão social: famílias em situação de rua, paridade de gênero e de negros na Câmara, violência contra indígenas e mulheres.
  • Acesso à educação superior: número de homens e mulheres empregados com ensino superior e notas no Enem.

Piores avaliações

Na região, as piores notas foram de Serra Azul (SP), com 37,61, e Guatapará (SP), com 38,11, em uma escala de 0 a 100. Ribeirão Preto, maior cidade da região, obteve 54,54, abaixo de outros quesitos, mas acima da média nacional. Franca (SP) e Barretos (SP) ficaram com 45,30 e 43,29, respectivamente, abaixo da média nacional. Sertãozinho (SP) teve 47,69, acima da média nacional, mas abaixo da estadual.

Migração de mão de obra e disparidade de renda

Para Mattar, a falta de estrutura para desenvolvimento pleno tem consequências distintas. Em cidades menores, com menos empregos e universidades, ocorre migração de jovens para grandes centros. “Acabam indo para grandes centros, migrando muitos desses jovens”, analisa. Já nas cidades maiores, evidencia-se a disparidade de renda entre grupos marginalizados.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar