Felipe Morina Ribeiro, o professor universitário encontrado pela Polícia Militar Rodoviária de Araraquara (SP) após mais de cinco anos desaparecido, decidiu não morar com a família, que reside em Osasco, na Grande São Paulo. O professor foi localizado caminhando às margens da Rodovia Washington Luís (SP-310), na divisa entre Matão e Taquaritinga, por volta das 13h de terça-feira (21). Após consultas, foi encontrado um boletim de ocorrência de desaparecimento e a corporação comunicou os familiares. O reencontro emocionou e repercutiu. O g1 não conseguiu contato com os parentes e com Felipe. Não há detalhes sobre o motivo da decisão do professor e sobre onde ele vai viver.
Perfil do professor
Felipe é formado em design digital pelo Centro Universitário FIEO (Unifieo), em Osasco, em 2005. No currículo Lattes, ele descreveu experiência na área de formação, trabalhando com ilustração, multimídia, gráfico, vídeo e web, além de atuar como professor na mesma instituição. A idade dele não foi divulgada. Nas redes sociais, uma ex-aluna mencionou que teve aula com o professor no curso de design gráfico da Unifieo. De acordo com ela, Felipe era um educador comprometido, inteligente e uma pessoa incrível. Outra ex-aluna disse que ajudou na divulgação do desaparecimento dele. "Também foi meu professor, era superinteligente, alto astral. Que bom que encontraram ele", disse outra ex-aluna em uma publicação nas redes sociais.
Desaparecimento e reencontro
O professor universitário desapareceu em 20 de outubro de 2020. Não há informações sobre o motivo do sumiço. Ele foi visto pela última vez em um bairro nobre chamado km 18, em Osasco. Felipe levou consigo um cachorro da raça Weimaraner, mas não há informações sobre o animal. O professor disse que passou por várias regiões do país ao longo deste período. Ao reencontrar a mãe na base da Polícia Militar, o educador afirmou que estava bem. “Andei por todo o país. Perna grossa, barriga trincada. Estou vivo e não estou desaparecido”, disse o professor.
Ação da polícia
Uma equipe do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR), em patrulhamento de rotina, realizou a abordagem e, inicialmente, não havia indícios de irregularidade. Após consultas, foi localizado um boletim de ocorrência de desaparecimento, registrado há cinco anos. “Durante a conversa, a equipe percebeu que ele estava confuso, possivelmente por conta do calor e do tempo de caminhada. Ele falou que realmente tinha saído da casa dele na região metropolitana de São Paulo”, explicou o capitão Gerson Rodrigues Redicopa Júnior, comandante da 1ª Companhia do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) de Araraquara. Os policiais o levaram até a base da corporação em Araraquara, onde ele recebeu atendimento básico, com água, alimentação e abrigo até a chegada da família. "Foi emocionante porque a família aguardava aflita, sem saber o paradeiro dele, o que tinha acontecido. Estava bem desesperançosa de fazer essa localização. E teve esse encontro muito feliz", disse o capitão.
Importância do boletim de ocorrência
O comandante explicou que abordagens a pedestres nas rodovias são comuns, mas raramente resultam na localização de pessoas desaparecidas. Quando não há registro, o encaminhamento costuma ser feito com apoio da assistência social. "Não é muito comum que a gente localize pessoas desaparecidas. Geralmente a pessoa não é desaparecida, não tem B.O., então a gente faz um contato com a assistência social da cidade para tentar encaminhá-la para um abrigo ou alguém que possa dar o apoio necessário no momento", contou. A Polícia Rodoviária reforça que o registro de boletim de ocorrência em casos de desaparecimento é essencial para viabilizar esse tipo de identificação. A PMR orienta que, ao avistar pessoas em situação de risco nas rodovias, a população pode acionar a Polícia Militar pelo número 190, concessionárias ou o Departamento de Estradas de Rodagem (DER).



