A Orquestra 415 está em cartaz em Belo Horizonte com o espetáculo “A Traição de Tiradentes”, que utiliza instrumentos de corda feitos com tripas de animais, recriando a sonoridade do século XVI. As apresentações ocorrem até sábado (25) no Teatro da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
Sonoridade histórica
As cordas de tripa foram as primeiras matérias-primas utilizadas em instrumentos musicais e proporcionam um som mais doce e suave. Atualmente, são empregadas apenas por músicos que buscam fidelidade histórica, como os da Orquestra 415, especializada em música renascentista e barroca. Além dos violinos, violoncelos, violas e contrabaixos com cordas de tripa, o grupo utiliza instrumentos raros como cravo, alaúde, guitarra barroca e flautas doces.
A obra escolhida
O “Te Deum em Lá menor”, composto por José Joaquim Emílio Lobo de Mesquita entre o fim do século XVIII e início do XIX, foi selecionado pelo maestro André Salles-Coelho devido à sua ligação com a Inconfidência Mineira. Dias após a morte de Tiradentes, um Te Deum foi apresentado em Vila Rica (atual Ouro Preto) em louvor ao fracasso do movimento. Salles-Coelho conta que se encantou pela obra ao ouvi-la no YouTube, mas enfrentou dificuldades para encontrar a partitura.
Após meses de pesquisa, uma cópia foi descoberta no Museu da Inconfidência em 2019, graças à ajuda de um funcionário. O manuscrito editado está agora disponível online.
O espetáculo
Além da execução musical pela Orquestra 415 e pelo Coro 415, a peça teatral “A Traição de Tiradentes” encena um encontro entre o mártir e o delator Joaquim Silvério dos Reis. Escrito por Salles-Coelho, o texto explora esse episódio histórico com uma visão romanceada. Os atores Gustavo Marquezini (Tiradentes), Marco Túlio Zerlotini (traidor) e Luciano Luppi (narrador) dão vida à história.
Serviço: Em Belo Horizonte até 25 de abril, às 20h, no Teatro da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais (Praça da Liberdade, nº 21). Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia).



