Aos 98 anos, morre João dos Santos, que registrou a vida em diários por mais de 80 anos
Morre aos 98 anos homem que escreveu diários por mais de 80 anos

Aos 98 anos, morre João dos Santos, que registrou a vida em diários por mais de 80 anos

Faleceu no último sábado (14), aos 98 anos, João dos Santos, um aposentado que desde a adolescência cultivou o singular hábito de registrar seu cotidiano em diários. Ele completaria 99 anos no próximo dia 14 de março, mas uma queda doméstica interrompeu sua longa trajetória de vida e escrita.

Uma vida documentada em cadernos

Conforme reportagem da TV Integração, que destacou sua história no ano passado, João escreveu aproximadamente 80 cadernos ao longo da vida, totalizando milhares de páginas repletas de anotações sobre o dia a dia. Seu método era meticuloso: "Comecei a trabalhar com ônibus em 1960 e passei a anotar nos cadernos do mesmo jeito: horário de saída, de chegada e quilometragem. Tá tudo no caderno", explicou ele na época.

Esses registros, que começaram na juventude, serviam não apenas como lembrança, mas como uma forma de afeto e organização pessoal. A última entrada em seu diário foi feita na sexta-feira (13), onde escreveu que estava "tudo tranquilo", segundo relatos familiares.

Queda fatal e internação

Poucas horas após essa anotação, João sofreu uma queda dentro de sua própria residência. O acidente resultou em uma fratura no fêmur, exigindo sua internação imediata. Ele foi levado para a Maternidade Santa Terezinha, em Juiz de Fora, mas, infelizmente, não resistiu aos ferimentos e veio a óbito.

Sepultamento e legado

João dos Santos foi sepultado às 16 horas do sábado, no Cemitério Municipal de Matias Barbosa, cidade onde nasceu. Sua partida deixa um vazio, mas também um legado histórico incomum: décadas de vida brasileira documentada através dos olhos de um cidadão comum.

Seus diários, que acompanharam transformações sociais, mudanças na cidade e a rotina de um trabalhador do transporte, representam um valioso registro pessoal e coletivo. A história de João, que ganhou destaque na comunidade, permanece como um testemunho do poder da memória escrita e da simplicidade do cotidiano transformado em narrativa.