O cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, deixou a prisão na manhã deste sábado (23), em Campo Grande, após a Justiça conceder um habeas corpus solicitado pela defesa. Preso desde segunda-feira (18), ele vai responder ao processo em liberdade, mas terá de usar tornozeleira eletrônica e cumprir medidas cautelares. A decisão foi tomada na quinta-feira (21). Entre as medidas impostas pela Justiça, o médico não poderá deixar a cidade sem autorização judicial.
João Jazbik foi preso por fraude processual e posse irregular de arma de fogo após a morte da esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos. A Polícia Civil investiga se ela morreu por suicídio ou se foi vítima de feminicídio. O caso é apurado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Segundo o advogado José Belga Trad, a decisão representa um alívio para o cliente, que nega envolvimento na morte da esposa. Após deixar o Centro de Triagem Anísio Lima, João Jazbik deverá ser encaminhado à Central de Monitoramento para a instalação da tornozeleira eletrônica, segundo a defesa.
Entenda o caso
O médico foi preso após a polícia encontrar armas sem documentação na casa dele, na região da Chácara dos Poderes. Os agentes foram ao local depois da morte de Fabíola, registrada na segunda-feira (18). Segundo apuração do g1, a fisioterapeuta foi atingida por um tiro na cabeça dentro da residência. João acionou a polícia e afirmou que a esposa teria tirado a própria vida.
Na terça-feira (19), a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) informou ter encontrado divergências nos depoimentos do médico, de testemunhas e de outros envolvidos. Diante disso, a polícia abriu um inquérito para investigar se a morte foi causada por suicídio ou feminicídio. Segundo o delegado Leandro Santiago, a investigação apontou que o médico teria pedido ao caseiro e a um ex-funcionário que transferissem um armário com armas e munições para outro imóvel da propriedade. Para a polícia, a conduta configura fraude processual. Os três foram autuados em flagrante. O delegado também informou que uma perícia preliminar indicou que a lesão na cabeça da vítima não seria compatível com a versão apresentada pelo médico.



