Criança de 10 anos quase morre afogada em Praia Grande; 10 mortes no litoral paulista em 2026
Criança se salva de afogamento em Praia Grande; 10 mortes no litoral

Uma criança de dez anos escapou por pouco da morte por afogamento na última sexta-feira (2), em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O caso, que poderia ter aumentado as trágicas estatísticas do início do ano, terminou com o resgate da vítima em estado grave, sua reanimação bem-sucedida e o encaminhamento para uma unidade de saúde.

Números alarmantes e o perigo invisível

O susto vivido pela criança ocorre em um contexto preocupante. Dez pessoas já perderam a vida afogadas nas praias do litoral paulista nos primeiros dias de 2026, conforme dados do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar). A corporação é enfática ao afirmar que a maioria dessas tragédias poderia ser evitada com atenção e cuidados simples.

O grande vilão, segundo os especialistas, é a corrente de retorno, fenômeno responsável por aproximadamente 95% dos óbitos. "Geralmente, quem vai para a praia ou para rios não sabe identificar quando a água não está própria para banho, por isso é preciso ficar atento à sinalização", explica a tenente Olívia Perrone Cazo, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo. Ela destaca que os guarda-vidas sinalizam os locais de risco. "O guarda-vidas colocou a placa de alerta ali antes porque ele identificou os riscos."

Dicas essenciais para um banho de mar seguro

Para evitar acidentes, a primeira recomendação é clara: priorize praias regulamentadas com a presença de guarda-vidas e bombeiros. A tentação de um local mais isolado e desertopode esconder perigos. Os bombeiros disponibilizam online uma lista das praias paulistas com esse serviço de salvamento.

O conhecido ditado "água no umbigo, sinal de perigo" continua valendo, principalmente para adultos. No caso das crianças, as orientações são ainda mais específicas:

  • Colocar pulseiras de identificação.
  • Usar roupas de cores chamativas para facilitar a localização na água.
  • Nunca deixá-las sem supervisão, mesmo em águas rasas ou piscinas.

Identificar alguém em perigo é crucial. Fique atento a sinais como semblante de pânico ou o movimento de submergir e vir à tona repetidamente. "Esse é um estado avançado e ela precisa de ajuda urgente", alerta a tenente Olívia. A ação imediata deve ser chamar um guarda-vidas ou ligar para o 193. Se possível, jogue um objeto flutuante (como uma boia, isopor ou garrafa pet) em direção à vítima para ganhar tempo até a chegada do socorro profissional.

Cuidados que vão além do mar

Os bombeiros também fazem alertas para outros cenários. Em piscinas, os afogamentos infantis são frequentes e muitas vezes envolvem traumas, como quedas que causam desmaios dentro d'água. A supervisão atenta de um adulto é indispensável, e esse adulto deve evitar o consumo de bebidas alcoólicas para estar apto a agir e passar informações corretas em uma emergência. O álcool também está por trás de brincadeiras perigosas, como empurrões, que podem desorientar a vítima e levar ao afogamento. Idosos devem ter cuidado redobrado com pisos molhados para evitar escorregões.

A Operação Praia Segura está em vigor em todo o litoral de São Paulo até 31 de março de 2026, com reforço no efetivo de bombeiros para prevenir acidentes durante o verão. A conscientização e a adoção das medidas de segurança são as melhores ferramentas para garantir que o lazer não se transforme em tragédia.