Passarela de Belém é desmontada após risco de queda e críticas desde 2025
Passarela de Belém desmontada após risco de queda e críticas

Passarela de Belém é desmontada após risco de queda e críticas persistentes

A passarela de 36 metros instalada na avenida Júlio César, em Belém, foi completamente desmontada nesta quarta-feira (11) devido a um risco iminente de queda. A estrutura, que já havia sido alvo de críticas e vistoria do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Pará (Crea-PA) em 2025, foi removida de forma preventiva para garantir a segurança de pedestres e motoristas.

Críticas desde a inauguração e problemas de altura

Logo após sua entrega em outubro de 2025, a passarela foi criticada por pedestres, motoristas e moradores da região, que apontavam a altura insuficiente para a passagem de veículos de grande porte. Naquele mesmo mês, uma carreta quase ficou presa sob a estrutura, e dois caminhões-cegonha foram retidos, causando congestionamentos significativos na avenida.

Durante vistoria realizada na época, o Crea-PA constatou que a altura livre da passarela era de 4,77 metros, superior ao limite de 4,40 metros estabelecido para veículos em vias urbanas. Mesmo assim, o consórcio responsável decidiu aumentar a altura para 5,2 metros após os incidentes.

"Nosso papel é garantir que cada obra pública ou privada respeite as normas e seja conduzida com responsabilidade", declarou na ocasião a presidente do Crea-PA, engenheira Adriana Falconeri.

Operação de remoção e perícia técnica

A operação de remoção mobilizou guindastes de grande porte, técnicos da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) e do consórcio responsável pela obra. O tráfego na via foi liberado por volta das 13h40, após o término da remoção da parte da passarela que ficava sobre a pista.

Na terça-feira (10), um dia antes da desmontagem, a Polícia Científica realizou perícia na estrutura para identificar possíveis falhas ou indícios de desgaste. Os peritos observaram elementos como fissuras, deformações e fragilidades nos pontos de sustentação, com o objetivo de reunir dados técnicos que ajudem a determinar as causas do problema.

Segundo a prefeitura, a desmontagem, o transporte e o eventual reforço estrutural serão custeados pelo Consórcio Igarapé São Joaquim, formado pelas empresas Construbase Engenharia e HTBR Arquitetura e Engenharia, sem ônus para o município.

Obra do Parque Urbano Igarapé São Joaquim

A passarela integra as obras do Parque Urbano Igarapé São Joaquim, uma das construções prometidas para a COP 30 que não foi entregue a tempo da realização da Conferência do Clima. O projeto se estende por 5 km, da avenida Júlio César, no bairro da Marambaia, até as margens da Baía do Guajará, atravessando seis bairros da capital paraense.

Com orçamento total de R$ 173 milhões, sendo R$ 150 milhões provenientes da Itaipu Binacional e R$ 23 milhões da Prefeitura de Belém, a obra é gerida pela Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel). Os trabalhos começaram em julho de 2024 e tinham previsão de conclusão da primeira etapa em outubro de 2025.

Posicionamento do Crea-PA e responsabilidades

Em nota divulgada nesta quarta-feira, o Crea-PA informou que sua atuação ocorreu "dentro das atribuições legais", voltadas à fiscalização do exercício profissional da engenharia e à verificação da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) das obras.

O conselho destacou que não projeta, não executa e não realiza manutenção de obras públicas ou privadas, nem possui competência legal para avaliar, determinar ou acompanhar a execução estrutural das obras. Essas atribuições cabem aos responsáveis técnicos pelos projetos e aos órgãos gestores da obra.

O Consórcio Igarapé São Joaquim, responsável pela obra, informou em nota que seu corpo técnico está "totalmente mobilizado" e atua "com prioridade máxima para identificar as causas da falha e definir soluções de engenharia que eliminem riscos e minimizem impactos à população".

O secretário de Infraestrutura, Arnaldo Dopazo, afirmou que a decisão foi preventiva: "A passarela segue estável e é monitorada pelos técnicos, com auxílio de topógrafo. Mesmo assim, decidimos agir de forma preventiva. A prioridade é garantir que, quando for reinstalada, ela ofereça total segurança para os pedestres".