As regiões de Campinas e Piracicaba, no interior de São Paulo, enfrentam um aumento preocupante no número de acidentes envolvendo escorpiões. Dados da Secretaria Estadual de Saúde revelam uma elevação significativa nos atendimentos médicos por picadas desse aracnídeo, acendendo um alerta para a população local.
Números em alta nas duas regiões
De acordo com o levantamento oficial, os atendimentos por picada de escorpião subiram 14,8% em um ano nas cidades que compõem o Departamento Regional de Saúde (DRS-7) de Campinas. Em 2024, as 42 cidades da região acumularam 3.772 casos. No ano passado, esse número saltou para 4.332 registros.
Já na região de Piracicaba, a tendência de crescimento também se confirmou. Os casos passaram de 3.458 em 2024 para 3.687 em 2025, mantendo a curva ascendente que preocupa as autoridades de saúde.
Prevenção: o que realmente funciona?
Para a bióloga Heloísa Malavasi, da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas, a estratégia mais eficaz para evitar a presença dos escorpiões combina medidas físicas e hábitos de limpeza. Barreiras em ralos e a eliminação de entulhos são ações fundamentais.
"O escorpião-amarelo está mais presente nos ambientes urbanos e está no esgoto. Ele vai chegar na sua casa pelo ralo. É isso que tem que observar", afirma a especialista. Ela destaca a importância de descartar corretamente restos de construção e outros materiais acumulados em quintais, utilizando os ecopontos da cidade.
O grande mito sobre os venenos
Heloísa Malavasi faz um alerta importante: o uso isolado de inseticidas não resolve o problema e pode até agravá-lo. A aplicação de venenos pode desalojar os animais, deixá-los desorientados e, paradoxalmente, aumentar o risco de picadas.
"Achar que o veneno vai dar conta é um grande mito e pode inclusive piorar o problema", explica a bióloga, desaconselhando essa prática como método único de controle.
Relatos de moradores assustados
Em Piracicaba, os moradores convivem com sustos constantes. No bairro Algodoal, a pensionista Diranei de Jesus encontrou um escorpião morto no colchão depois que sua neta Lavínia, de apenas seis meses, rolou sobre o local. Para tentar impedir novas invasões, ela improvisa barreiras no ralo do banheiro.
"Coloca pano, um balde em cima, para que o escorpião não suba, para que ele desça para o esgoto", descreve. Diranei acredita que a situação piorou após o fechamento de uma madeireira vizinha, que deixou um acúmulo de madeira e sujeira, atraindo roedores e escorpiões.
A empregada doméstica Viviane de Jesus, da mesma região, já contabiliza várias aparições do animal em sua residência. "Ter picado ainda não, graças a Deus. Mas a gente já achou bastante, porque eu mirei uns cinco já", relata. Ela menciona encontros com o "amarelinho", espécie considerada de maior risco, inclusive uma vez com filhotes nas costas.
Já a dona de casa Ivani Caroline conhece bem as consequências dolorosas. "Fui picada cinco vezes", conta. Em uma das ocasiões, a dor e o inchaço foram tão intensos que ela precisou ir ao hospital e receber soro antiescorpiônico. Desde então, redobrou os cuidados com a limpeza da casa.
O que fazer ao encontrar um escorpião?
A orientação das autoridades é clara: aja com segurança. Se possível, capture ou elimine o animal com cuidado. Quando for viável, armazene o escorpião em um frasco para enviá-lo à Unidade de Controle de Zoonoses. Lá, ocorre a identificação da espécie e são repassadas as orientações necessárias para cada caso.
O aumento dos casos serve como um alerta para que a população adote medidas preventivas permanentes, transformando a limpeza e a vedação de possíveis entradas em uma rotina dentro de casa.