
Era para ser apenas uma "redução de pressão". O que os moradores da periferia de São Paulo viveram na madrugada desta quinta-feira, no entanto, foi muito além disso — foi o completo sumiço da água das torneiras, o desespero silencioso de quem acorda no escuro para encontrar canos secos.
Imagine só: você prepara baldes, potes, tudo o que tem em casa porque avisaram que a água chegaria mais fraca. Mas aí... nada. Zero. Só o ar saindo pelas tubulações, aquela zoada fantasma que é talvez o som mais frustrante do mundo urbano.
Zona Leste foi a mais atingida
Bairros como Itaquera, Guaianases e São Miguel Paulista simplesmente secaram. E não foi pouco tempo não — estamos falando de horas a fio sem uma gota sequer. A Sabesp, é claro, diz que era esperado. Que o tal "controle de pressão" noturno poderia, sim, causar algumas interrupções.
Mas cadê o aviso direito? Porque tem gente que só descobriu ao tentar dar descarga, tomar um banho rápido ou dar de beber aos filhos pequenos. Aí a coisa complica.
Desabafos nas redes sociais
As redes viraram um verdadeiro caldeirão de indignação. Vídeos, áudios, mensagens — tudo mostrando a realidade crua: baldes vazios, caixas d'água murchas e uma sensação geral de abandono.
"A gente vira refém de um sistema que não avisa direito", desabafou uma moradora de Itaquera, que preferiu não se identificar. "Parece que sempre é aqui, na periferia, que a coisa aperta primeiro."
E a Sabesp, o que diz?
A empresa confirmou a redução de pressão entre 22h e 5h — uma medida, segundo eles, para economizar água e evitar desperdícios. Mas admitiu, também, que em alguns pontos a situação fugiu do controle e o abastecimento foi interrompido completamente.
Não é a primeira vez que isso rola, né? A gente já viu esse filme. E sabe como termina: sempre com o povo sofrendo nas pontas, enquanto os discursos oficiais ficam bonitos no papel.
O pior? A previsão é que a medida continue pelos próximos dias. Ou seja: se você é de São Paulo, melhor se preparar. E torcer para que seu bairro não seja o próximo da lista.