Intoxicação alimentar na Hyundai Mobis: água sem cloro e divergências entre empresa e Semae
Intoxicação na Hyundai Mobis: água sem cloro gera surto em Piracicaba

Surto de intoxicação alimentar na Hyundai Mobis de Piracicaba afeta 152 funcionários

A Hyundai Mobis, fabricante de peças automotivas, confirmou nesta sexta-feira (13) que exames realizados em sua unidade de Piracicaba apontaram "ausência de cloro residual" na água dos bebedouros e torneiras. Essa condição, com proteção menor do que o recomendado, eleva o risco de contaminação por microrganismos causadores de doenças. Os laudos foram solicitados após um incidente ocorrido em 19 de janeiro deste ano, quando 152 funcionários passaram mal após consumirem água e alimentos no refeitório da empresa.

Divergências entre Hyundai Mobis e Semae sobre a qualidade da água

Em comunicado, a Hyundai Mobis ressaltou que toda a água utilizada no preparo de alimentos e para consumo na empresa é de origem exclusiva do Serviço de Água e Esgoto de Piracicaba (Semae), sem captação de fontes alternativas. No entanto, o Semae contestou, afirmando que os laudos sobre a qualidade da água mostraram que a água que chega ao cavalete da fábrica atende a todas as diretrizes e padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde, o que não comprometeria a saúde dos funcionários.

O Semae ainda destacou que não foram registrados relatos ou reclamações relacionadas à qualidade da água no Parque Automotivo ou em outros pontos do município. A estação de tratamento de água do Capim Fino, que atende a região, opera de forma contínua e abastece aproximadamente 75% da população de Piracicaba, utilizando cloro como agente desinfetante de forma adequada e controlada.

Investigações e medidas corretivas implementadas pela empresa

Após o surto, a Hyundai Mobis adotou uma série de medidas preventivas para reforçar a segurança alimentar dos colaboradores, incluindo:

  • Substituição do bebedouro de água por um modelo moderno com filtro de purificação superior.
  • Aumento da frequência de análises laboratoriais da água.
  • Implantação de bomba dosadora automática de cloro para garantir dosagem contínua e adequada.
  • Aquisição de colorímetro digital para monitoramento do teor de cloro em tempo real.

Em 26 de janeiro, um novo laudo confirmou que a água estava própria para consumo humano, e todos os funcionários afastados retornaram às atividades profissionais no dia 3 de fevereiro de 2026.

Papel da Sodexo e investigações da Vigilância Sanitária

A empresa Sodexo, responsável pelo restaurante da unidade fabril, analisou os alimentos e concluiu que apenas itens que tiveram contato com a água, como saladas e legumes crus, foram considerados fora do padrão, descartando a comida como fonte principal do problema. Uma funcionária terceirizada relatou baixa qualidade da comida servida, mas a Vigilância Sanitária municipal esteve no local em janeiro, realizou inspeção e não constatou irregularidades físicas ou procedimentais imediatas.

O órgão coletou amostras de exames dos funcionários, encaminhadas para análise do Instituto Adolfo Lutz, e a investigação permanece aberta aguardando resultados laboratoriais e o fechamento do quadro epidemiológico.

Sindicato dos Metalúrgicos acompanha o caso e solicita transparência

O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Piracicaba e Região pediu laudos de análise de alimentos e água servidos aos funcionários ainda em janeiro de 2025. O presidente do sindicato, Wagner da Silveira, conhecido como Juca, afirmou que acompanhava a situação desde 17 de janeiro, com suspeita de intoxicação pela água ou alimento. Ele relatou que os sintomas dos funcionários variaram, incluindo diarreia e vômito, e destacou a importância de obter os laudos para esclarecer a causa exata do surto.

O sindicato atua em conjunto com o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) para monitorar os casos e garantir a segurança dos trabalhadores, reforçando a necessidade de transparência e ações preventivas contínuas na indústria automotiva da região.