Naufrágio em Manaus completa um mês com três mortos e cinco desaparecidos; operação de busca continua
O naufrágio da lancha de transporte de passageiros Lima de Abreu XV, ocorrido em Manaus, completa exatamente um mês nesta sexta-feira (13), com um saldo trágico de três mortes confirmadas e cinco pessoas ainda desaparecidas. O acidente, que aconteceu quando a embarcação afundou com aproximadamente 80 pessoas a bordo durante a viagem da capital para o município de Nova Olinda do Norte, continua mobilizando equipes de resgate em uma das operações mais complexas já realizadas na região.
Operação de busca percorre 238 quilômetros no Rio Amazonas
O Corpo de Bombeiros do Amazonas (CBMAM) informou na quinta-feira (12) que os trabalhos de busca prosseguem por tempo indeterminado, com militares já tendo percorrido impressionantes 238 quilômetros pelo Rio Amazonas. A operação conta com um efetivo de 21 militares, incluindo 12 mergulhadores especializados e duas embarcações dedicadas exclusivamente ao serviço operacional.
Para aumentar a eficácia das buscas, o CBMAM está utilizando tecnologia de ponta, incluindo drones para sobrevoos aéreos e sonar para leitura detalhada do leito do rio. Ao longo das últimas semanas, familiares dos desaparecidos têm acompanhado de perto todos os esforços de localização, em um momento de angústia e esperança constante.
O momento do naufrágio e o resgate dramático
A lancha, pertencente à empresa Lima de Abreu Navegações, partiu de Manaus por volta das 12h30 com destino a Nova Olinda do Norte. Durante a viagem, a embarcação naufragou nas proximidades do Encontro das Águas, região famosa pela confluência dos rios Negro e Solimões, conhecida por suas correntes fortes e condições desafiadoras para a navegação.
Vídeos gravados por passageiros durante o acidente mostram cenas dramáticas de pessoas, incluindo crianças, à deriva nas águas do Amazonas. Muitos utilizavam coletes salva-vidas ou se apoiavam em botes improvisados enquanto aguardavam o socorro que demorou a chegar. As causas exatas do naufrágio ainda não foram divulgadas oficialmente e seguem sob investigação das autoridades competentes.
Logo após o acidente, parte dos passageiros foi socorrida por embarcações que navegavam casualmente pela região, seguindo-se uma operação de resgate organizada pelas autoridades. Um dos episódios que mais comoveu o público foi o salvamento de um bebê prematuro de apenas cinco dias de vida, que foi colocado dentro de um cooler por familiares para evitar o contato direto com a água. O recém-nascido ficou à deriva dentro do recipiente até ser encontrado por equipes de resgate, sendo posteriormente levado para atendimento médico junto com sua mãe, que havia viajado a Manaus especificamente para dar à luz.
Relatos de passageiros e alertas ignorados
Testemunhas do naufrágio relataram momentos de tensão que antecederam a tragédia. Uma passageira afirmou categoricamente que chegou a alertar o piloto da lancha para reduzir a velocidade devido ao banzeiro – ondas fortes e comuns na região do Encontro das Águas. Em um vídeo gravado enquanto estava à deriva, ela relatou ter pedido insistentemente ao condutor que "fosse devagar", alerta que aparentemente não foi atendido.
As vítimas da tragédia
Entre as vítimas fatais confirmadas estão:
- Samila de Souza, de apenas 3 anos, que havia viajado para Manaus pela primeira vez e retornava para Urucurituba, cidade onde a lancha faria uma parada técnica. Seu corpo foi encontrado horas após o naufrágio.
- Lara Bianca, de 22 anos, natural de Nova Olinda do Norte, que estudava odontologia em Manaus e estava prestes a concluir sua graduação. Seu corpo foi resgatado e encaminhado ao Instituto Médico Legal.
- Fernando Grandêz, de 39 anos, cantor gospel conhecido na capital amazonense por participar regularmente de eventos religiosos. Seu corpo foi localizado três dias após o acidente durante os trabalhos de busca na região.
Piloto foragido após ordem de prisão preventiva
O piloto da embarcação, identificado como Pedro José da Silva Gama, de 42 anos, foi inicialmente detido pela polícia após o resgate, sendo levado ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Após a confirmação das mortes, foi encaminhado à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e liberado após pagar fiança.
No dia seguinte, em 14 de fevereiro, a juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto determinou sua prisão preventiva com o objetivo de garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal. A ordem judicial estabelecia que, após o cumprimento do mandado, o comandante deveria ser recolhido em qualquer unidade prisional. No entanto, ele não foi localizado desde então e segue oficialmente foragido, aumentando as questões sobre responsabilidades no caso.
Posicionamento da empresa responsável
A empresa Lima de Abreu Navegações, responsável pela lancha envolvida no acidente, emitiu uma nota oficial lamentando profundamente o ocorrido. A empresa afirmou que a embarcação estava totalmente regularizada e com toda a documentação em dia, além de garantir que está colaborando integralmente com as investigações em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do trágico naufrágio.
