Tragédia no Rio Grande: Lancha com excesso de passageiros colide com píer sem iluminação
Um grave acidente marítimo ocorrido no Rio Grande, na divisa entre os estados de Minas Gerais e São Paulo, resultou na morte de seis pessoas e expôs uma série de irregularidades. A lancha envolvida na colisão, que aconteceu na noite de sábado (21), transportava quinze passageiros, quase o dobro da capacidade máxima permitida de oito pessoas, conforme informações oficiais da Marinha do Brasil.
Irregularidades na embarcação e na condução
Segundo a Marinha, o piloto da embarcação, identificado como Wesley Carlos da Silva, de 45 anos, não possuía a Carteira de Habilitação de Amador (CHA), documento obrigatório para conduzir a lancha. Além disso, apenas três dos quinze ocupantes utilizavam coletes salva-vidas no momento do acidente, embora a norma determine que todos os tripulantes e passageiros devem usar o equipamento continuamente em embarcações de médio porte com convés aberto.
O Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) está em andamento para apurar as causas, circunstâncias e responsabilidades do ocorrido. A Polícia Civil de Minas Gerais também investiga o caso.
Relatos dos sobreviventes contradizem versões oficiais
Os sobreviventes do acidente forneceram um relato detalhado e preocupante sobre as condições no momento da tragédia. De acordo com eles, a lancha estava em baixa velocidade quando atingiu o píer e virou em um trecho da represa com aproximadamente dois metros de profundidade, entre os municípios de Rifaina (SP) e Sacramento (MG).
Rogério Souza, um dos sobreviventes, descreveu a cena: "Eu estava com meu celular na frente com a luz iluminando, porque a gente não estava enxergando direito. De repente, vi a estrutura de madeira, foi onde eu gritei: 'vai bater'. Não estava iluminado, estava desligado. Você só vê iluminação em outras filmagens que fizeram, que ele está aceso na hora do resgate, mas na hora em que a gente passou, ele estava desligado".
Este testemunho entra em conflito direto com a declaração da Defesa Civil, que afirma que o píer estava iluminado. A Marinha, por sua vez, emitiu uma nota na segunda-feira (23) lembrando que obras sobre águas, como píeres, devem ser iluminadas por luzes fixas durante o período noturno para evidenciar toda sua extensão.
Contexto do acidente e consequências
O grupo retornava para o chalé onde estava hospedado após passar o dia em um bar flutuante quando a tragédia aconteceu. Todas as vítimas eram moradoras de Franca (SP) e foram enterradas na segunda-feira, deixando a comunidade local em luto.
A Marinha também informou que a lancha possuía documento de inscrição regularizado e que a navegação noturna é permitida para embarcações devidamente equipadas com luzes de navegação. No entanto, as circunstâncias específicas deste acidente levantam questões críticas sobre segurança náutica e fiscalização.
Este trágico evento serve como um alerta sobre a importância do cumprimento das normas de segurança em atividades náuticas, especialmente em relação à capacidade das embarcações, habilitação dos condutores, uso de equipamentos de segurança e condições de infraestrutura nos corpos d'água.