Jovem de 22 anos viajou com vaquinha de amigos e morreu em acidente com lancha
Jovem viajou com vaquinha e morreu em acidente com lancha

Tragédia na represa: jovem viajou com ajuda financeira de amigos e perdeu a vida

A jovem Marina Matias, de apenas 22 anos, que estava entre as seis vítimas fatais do acidente com uma lancha ocorrido na divisa entre Rifaina, no interior de São Paulo, e Sacramento, em Minas Gerais, realizou a viagem fatal graças a uma vaquinha organizada por seus amigos. A tragédia aconteceu durante as comemorações do aniversário da amiga Viviane Aredes, que também não sobreviveu ao desastre.

Detalhes da viagem de última hora

Segundo relatos de familiares e colegas, Marina partiu de Franca, cidade onde residia, levando consigo os dois filhos da amiga Viviane. Um deles, Bento Aredes, de apenas 4 anos, faleceu no local do acidente, enquanto o outro conseguiu sobreviver. Tiago Araújo, colega de trabalho de Marina, revelou à EPTV que a jovem quase não conseguiu participar da viagem devido a questões trabalhistas.

"Ela precisava de uma folga que não foi concedida pelo gerente, então inicialmente não estava confirmada sua presença", explicou Tiago. O gerente da loja de tintas onde Marina trabalhava há dois anos, Bruno Teixeira, confirmou que ela cumpriu seu expediente na manhã do acidente e, logo após, abasteceu o carro com o dinheiro enviado pela amiga e seguiu para Rifaina.

Mudança de planos trágica

Originalmente, as amigas planejavam comemorar o aniversário de Viviane em um bar de Franca, mas os planos foram alterados em cima da hora. "Não sei qual foi a mudança de planos que as levou a Rifaina", comentou o gerente Bruno Teixeira. Os colegas de trabalho souberam da tragédia na manhã de domingo (22) e expressaram profunda tristeza.

Tiago Araújo descreveu o impacto da perda: "Para nós, foi um baque muito grande. Ela era uma pessoa extremamente querida, trabalhava conosco e partiu tão nova. Foi bem triste".

O acidente e as investigações

O desastre ocorreu na noite de sábado (21), quando uma lancha com quinze pessoas a bordo colidiu violentamente contra um píer e virou na represa. Testemunhas relataram que várias vítimas ficaram presas na parte inferior da embarcação e morreram afogadas. O grupo havia passado o dia em um bar flutuante em Rifaina e, por volta das 22 horas, retornava para um chalé em Sacramento quando se perdeu na represa.

O piloto, Wesley Carlos da Silva, de 45 anos, tentava fazer um retorno quando a colisão aconteceu. Com o impacto, parte dos ocupantes foi arremessada para fora da lancha, enquanto outros ficaram presos quando a embarcação virou. O saldo foi de seis mortos - incluindo quatro mulheres, um homem e o menino de 4 anos - e nove sobreviventes.

Questões de segurança e iluminação

A Marinha do Brasil confirmou que a lancha possuía documentação regular, mas o piloto não tinha Carteira de Habilitação de Amador (CHA), conforme exigido por lei. Um ponto controverso nas investigações diz respeito à iluminação do local do acidente.

Sobreviventes e testemunhas afirmam que o píer não estava iluminado, o que teria contribuído para a colisão. Esta versão contradiz a informação da Defesa Civil de Rifaina, que alega ter imagens mostrando iluminação adequada no local. A Polícia Civil de Minas Gerais já enviou equipes de perícia para coletar evidências e esclarecer as circunstâncias exatas do acidente.

Consequências e sepultamentos

Todas as vítimas eram moradoras de Franca e foram sepultadas na cidade. O corpo de Marina Matias foi enterrado no Cemitério Jardim das Oliveiras na tarde de segunda-feira (23). Imagens compartilhadas nas redes sociais mostraram o intenso trabalho de resgate realizado por voluntários, mergulhadores e equipes da Guarda Civil Municipal, que atuaram para desvirar a lancha e resgatar as vítimas.

A tragédia deixou marcas profundas na comunidade de Franca e levantou importantes questões sobre segurança náutica, fiscalização e as condições de infraestrutura em áreas de lazer aquático.