Tragédia na represa de Jaguara: seis mortos em colisão de lancha contra píer
A Defesa Civil de Rifaina, no interior de São Paulo, divulgou neste domingo (22) informações contraditórias sobre as condições de iluminação do píer onde uma lancha colidiu na noite de sábado (21), resultando em seis mortes. Entre as vítimas fatais estão uma criança de apenas 4 anos e sua mãe, em um acidente que chocou as cidades de Rifaina (SP) e Sacramento (MG), localizadas na divisa estadual.
Contradições sobre a iluminação do píer
O coordenador da Defesa Civil de Rifaina, Alcides Diniz dos Santos, afirmou que imagens registradas após o acidente mostram que o píer estava iluminado no momento da tragédia. "A princípio, pelo local, quando a gente vê algumas fotos, o píer estava iluminado, sim. Havia iluminação, mas diz que chovia no momento da ocorrência, por volta das 22h", declarou o coordenador.
Entretanto, sobreviventes do acidente relataram aos socorristas que a estrutura estava completamente apagada quando a embarcação colidiu contra ela. O proprietário do píer não se encontrava na propriedade durante o incidente, conforme informações das autoridades.
Detalhes do acidente e operação de resgate
A lancha transportava 15 pessoas de um bar flutuante em direção a uma casa em condomínio às margens da represa de Jaguara, no Rio Grande, onde o grupo estava hospedado. A colisão ocorreu por volta das 22h, resultando no tombamento da embarcação.
A Defesa Civil foi acionada às 22h11 e chegou ao local acompanhada da Guarda Civil Municipal (GCM) antes mesmo do Corpo de Bombeiros. "A nossa equipe tentou ainda desvirar a embarcação que estava com três pessoas dentro. Depois foram chegando mais voluntários, mergulhadores, proprietários de embarcações que estavam no entorno daquela região", detalhou Alcides Diniz dos Santos.
As equipes de resgate confirmaram os seis óbitos no local do acidente, incluindo:
- Juliana Fernanda de Oliveira Silva Ferreira
- Wesley Carlos da Silva, que pilotava a lancha
- Uma criança de 4 anos, filha de uma das vítimas adultas
- Três outras pessoas ainda não identificadas oficialmente
Investigações em andamento e questões de fiscalização
A Polícia Civil de Sacramento instaurou inquérito para apurar as causas exatas do acidente. Testemunhas informaram que Wesley Carlos da Silva, o condutor da lancha, não possuía arrais - a habilitação emitida pela Marinha para conduzir embarcações de pequeno porte.
O coordenador da Defesa Civil destacou preocupações com a fiscalização náutica na região. "É difícil ver a Marinha aqui, devido aos custos deles virem para cá [Rifaina] devido à jurisdição deles de vários municípios. Então eles vêm três ou quatro vezes ao ano, apenas", afirmou Alcides.
A responsabilidade pela fiscalização náutica na represa de Jaguara, que banha a divisa entre Minas Gerais e São Paulo, é da Capitania Fluvial do Tietê-Paraná. Todo o trabalho de regulamentação dos pilotos deve ser acompanhado pelas equipes da Organização Militar de Barra Bonita.
Contexto da região e alertas de segurança
Rifaina é conhecida pelo lazer náutico e, segundo o coordenador da Defesa Civil, a região fica bastante movimentada durante temporadas de verão, feriados prolongados e épocas como Carnaval e Ano Novo. Os bares flutuantes são estabelecimentos comuns na área.
Alcides Diniz dos Santos fez um alerta sobre as condições que levaram ao acidente: "É muito preocupante, a gente sabe que é preocupante, e o que a gente pode fazer como poder público é cobrar das autoridades, principalmente da Marinha do Brasil e da União, uma maior fiscalização".
As equipes da Defesa Civil das regiões de Rifaina e Sacramento ficam responsáveis pelos serviços relacionados aos banhistas, com guarda-vidas atuando apenas no período diurno. A Defesa Civil atende ocorrências de forma imediata em qualquer um dos estados, mas reforça a necessidade de maior presença da Marinha para fiscalização adequada.
A Marinha foi procurada para comentar as regras envolvendo píeres em áreas de rios, mas não se manifestou sobre o assunto até a última atualização das informações.