Brasileira relata tensão em navio retido em Dubai durante conflito entre EUA e Irã
Brasileira em navio retido em Dubai durante guerra EUA-Irã

Brasileira narra momentos de pânico em navio de cruzeiro retido no porto de Dubai durante conflito internacional

Uma empreendedora brasileira, natural de Pilar do Sul no interior de São Paulo, encontra-se há dias a bordo de um navio de cruzeiros retido no porto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, desde o último sábado, 28 de fevereiro. A situação ocorre devido aos intensos ataques militares envolvendo os Estados Unidos e o Irã, que colocaram em alerta toda a região do Oriente Médio.

Viagem transformada em pesadelo

Laura Barros embarcou no MSC Euribia junto com sua filha no dia 28 de fevereiro, com expectativa de realizar uma viagem que passaria por três destinos do Oriente Médio, com término programado para esta sexta-feira, 6 de março. Contudo, o cruzeiro sequer chegou a deixar o porto de Dubai devido aos riscos de segurança impostos pelo conflito armado.

"Embarcamos à tarde e, nessa hora, já fomos avisados pelos nossos familiares sobre a guerra, mas achávamos que estávamos seguras dentro do navio", relata Laura ao descrever os primeiros momentos. "Pouco tempo depois, o comandante fez um comunicado geral avisando sobre o que estava acontecendo e que era para todos os passageiros ficarem calmos".

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Alertas de mísseis e cenas de desespero

Segundo a passageira brasileira, todos os destinos previstos no itinerário foram afetados pelo conflito, incluindo Doha no Catar e Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. Ainda no primeiro dia, os celulares dos passageiros receberam mensagens automáticas com alertas sobre risco de ataques com mísseis.

"Foi um aviso muito semelhante ao da Defesa Civil que recebemos no Brasil em caso de tempestades", conta Laura. "Logo em seguida, ouvimos um barulho muito alto de sirene de emergência que, por conta do volume, achei que estava dentro do navio. Parecia muito uma cena semelhante a 'Titanic', mas o alerta vinha da cidade".

Após o barulho das sirenes, os passageiros entraram em estado de apreensão generalizada:

  • Muitos vestiram roupas confortáveis e se dirigiram ao átrio do navio
  • Pessoas correram para pegar documentos, água e itens básicos
  • Crianças se jogaram no chão chorando devido ao trauma
  • Tripulantes tentavam tranquilizar os passageiros sem sucesso

"Vi pessoas rezando, pessoas desesperadas, crianças chorando, desencontro de informações. Foi difícil processar tudo o que estava acontecendo", desabafa a brasileira. "Eu chorei muito e vi mães de crianças pequenas tendo que disfarçar para o filho tudo o que estava acontecendo. Os pequenos brincando no chão e a mãe tendo que fingir que estava tudo bem. Foi desesperador".

Itinerário cancelado e incertezas sobre retorno

De acordo com Laura, o comandante da embarcação mantém os passageiros informados sobre a situação pelo menos duas vezes ao dia. Apesar de a saída para passeios em Dubai estar teoricamente liberada, a tripulação tem orientado que, por questões de segurança, todos permaneçam a bordo.

"Soubemos que o itinerário seria cancelado já no primeiro dia", explica a empreendedora. "Nós seremos ressarcidos em dinheiro ou em uma nova viagem. As pessoas podem sair para passeios, mas ninguém vai devido ao risco. Voltar para casa não é uma opção, já que os voos foram cancelados devido ao risco".

A situação do espaço aéreo na região começou a apresentar melhorias apenas na noite de segunda-feira, 2 de março, quando voos de pequeno porte passaram a decolar de Dubai. O retorno de Laura ao Brasil está previsto para 9 de março e, até o momento, a companhia aérea mantém a confirmação do voo.

"Agora, nós estamos tentando aproveitar o navio do jeito que der", afirma. "Estamos nos alimentando bem, a equipe de tripulantes está cuidando bem dos passageiros. Estou muito confiante de que vou voltar para casa na data certa. Se eu conseguir, vou ser muito grata por ter dado tudo certo".

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Posicionamento da empresa de cruzeiros

Em nota oficial, a MSC Cruzeiros informou que, por priorizar a segurança e o bem-estar dos passageiros, está seguindo rigorosamente as orientações das autoridades militares locais, que determinam a permanência do navio no porto de Dubai. A companhia destacou que mantém contato constante com as companhias aéreas para agilizar o retorno dos passageiros aos seus países de origem.

Segundo a empresa, os voos estão sendo retomados de forma gradual e organizada, e a situação a bordo do MSC Euribia está completamente sob controle. Os hóspedes têm acesso integral às instalações do navio, e a companhia mantém comunicação direta com o Ministério das Relações Exteriores e com as embaixadas para acompanhar todos os desenvolvimentos do caso.

Contexto do conflito internacional

Os Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado, 28 de fevereiro, o que deflagrou uma guerra aberta entre os três países. Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas, resultando na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, além de outros membros de alto escalão da cúpula militar e de governo.

A organização humanitária Crescente Vermelho do Irã informou que quase 800 pessoas foram mortas desde o início dos ataques ao país. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra território israelense e contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio, estabelecendo um ciclo de ataques recíprocos que continua até o momento presente, com bombardeios diários contra Israel, Irã e países do Golfo.