Acidente com lancha mata seis pessoas na divisa entre Minas Gerais e São Paulo
Acidente com lancha mata seis na divisa MG-SP

Tragédia nas águas do Rio Grande: colisão de lancha com píer mata seis pessoas

A Polícia Civil de Minas Gerais abriu um inquérito para investigar as circunstâncias do grave acidente náutico que resultou na morte de seis pessoas na noite do último sábado (21). O fato ocorreu na represa de Jaguara, no Rio Grande, na divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais, quando uma lancha colidiu violentamente com um píer.

Detalhes do acidente que chocou a região

O acidente aconteceu por volta das 22h, quando quinze pessoas retornavam de um bar flutuante em Rifaina (SP), onde haviam assistido a um show de pagode. O grupo seguia para um condomínio às margens do rio em Sacramento (MG), onde estavam hospedados. Durante o trajeto, a embarcação atingiu um píer com força, causando o tombamento da lancha.

Com o impacto, parte dos ocupantes foi arremessada para trás e ficou presa quando a embarcação virou na água. Equipes de resgate, incluindo voluntários, mergulhadores e a Guarda Civil Municipal de Rifaina, trabalharam intensamente para socorrer as vítimas. Imagens que circularam nas redes sociais mostraram o difícil trabalho para desvirar a lancha com auxílio de outras embarcações.

Vítimas do trágico acidente náutico

Das quinze pessoas que estavam na lancha, seis morreram afogadas após ficarem presas embaixo da embarcação. Entre os mortos estão:

  • Juliana Fernanda de Oliveira Silva Ferreira, 40 anos
  • Wesley Carlos da Silva, 45 anos
  • Bento Aredes, 4 anos
  • Viviane Aredes, 35 anos
  • Erica Fernanda Lima, 40 anos
  • Marina Matias Rodrigues, 22 anos

Viviane Aredes, que completaria 36 anos no domingo (22), morreu junto com seu filho Bento. Ela era irmã da primeira-dama de Patrocínio Paulista (SP). Marina era amiga de Viviane e estava com ela para comemorar o aniversário. Horas antes do acidente, as vítimas haviam publicado fotos do dia de diversão nas redes sociais.

Dos nove sobreviventes, três precisaram de atendimento médico em Rifaina, mas tiveram apenas ferimentos leves e foram liberados em seguida. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal de Araxá e serão enterrados nesta segunda-feira (23) em Franca (SP), cidade onde residiam.

Testemunhas relatam erro na manobra da lancha

O empresário Luís Ricardo Andrade, dono de um bar flutuante na região que ajudou no socorro, relatou que os turistas disseram ter errado o caminho ao retornarem do Único Floating Bar. Ao perceberem que estavam indo na direção oposta ao condomínio, alertaram o piloto, que fez uma manobra de retorno equivocada.

"Ao invés deles retornarem a bombordo [esquerda], eles retornaram a boreste [direita], passando próximo à margem, atingindo assim o píer e tombando a lancha", explicou Andrade.

Sobreviventes relataram ao Corpo de Bombeiros que o píer não tinha iluminação e sinalização noturnas. No entanto, o coordenador da Defesa Civil de Rifaina, Alcides Diniz dos Santos, afirmou que fotos tiradas após o acidente mostram que a estrutura estava iluminada.

Investigadores apuram irregularidades na condução da embarcação

A Polícia Militar informou que Wesley Carlos da Silva, que pilotava a lancha, não possuía arrais - a carteira de habilitação náutica emitida pela Marinha do Brasil para condução de embarcações pequenas. Os sobreviventes confirmaram que Wesley não era habilitado e que havia consumido bebida alcoólica com eles no bar flutuante.

Uma equipe de peritos da Capitania Fluvial Tietê-Paraná, da Marinha do Brasil, esteve em Sacramento no domingo para coletar elementos sobre o acidente. A reportagem da TV Integração apurou que a lancha não poderia navegar no horário do acidente, uma vez que é permitido apenas até o pôr do sol.

Autoridades se pronunciam sobre o caso

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Polícia Civil em Sacramento. A polícia ainda não informou se o número de ocupantes da lancha estava de acordo com sua capacidade.

Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que uma equipe da perícia oficial foi ao local do acidente náutico e coletou os primeiros vestígios e informações que irão subsidiar as investigações.

A Capitania Fluvial do Tietê-Paraná, responsável pela fiscalização náutica na região, enviou uma equipe de peritos para coletar dados para o Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN). O IAFN irá apurar causas, circunstâncias e eventuais responsabilidades pelo acidente, com prazo inicial de 90 dias para conclusão.

A Prefeitura de Rifaina afirmou que prestou apoio imediato à ocorrência, colaborando com os órgãos de segurança e salvamento. Segundo a administração municipal, são realizadas ações contínuas voltadas à segurança na represa, incluindo sinalização e campanhas educativas, mas destacou que a fiscalização da navegação em águas interiores é competência da Marinha do Brasil.

A Prefeitura de Sacramento se colocou à disposição para prestar o apoio necessário às investigações e às famílias das vítimas.