Uiramutã (RR) tem pior qualidade de vida do Brasil pelo terceiro ano consecutivo
Uiramutã é o pior em qualidade de vida pelo 3º ano

Pelo terceiro ano consecutivo, Uiramutã, o município mais ao Norte do Brasil, localizado em Roraima, registrou a menor pontuação de qualidade de vida do país. Os dados são do Índice de Progresso Social (IPS) 2026, divulgado nesta quarta-feira (20), que avalia o desempenho social e ambiental de 5.570 municípios brasileiros.

O que é o IPS?

O IPS mede a entrega de serviços públicos à população por meio de 57 indicadores, com pontuação de zero a 100. Uiramutã obteve a nota 42,44, ficando na última posição nacional, assim como em 2024 e 2025. Em contraste, Gavião Peixoto, em São Paulo, lidera o ranking com 73,10 pontos.

Outros municípios de Roraima entre os piores

Além de Uiramutã, Roraima tem mais dois municípios entre os 20 piores desempenhos do país. Alto Alegre registra 44,72 pontos e ocupa a 5.568ª posição. Amajari está no 5.566º lugar, com 45,58 pontos.

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Fatores que puxaram a nota para baixo

O índice de Uiramutã caiu principalmente devido aos resultados nas áreas de Necessidades Humanas Básicas (41,56 pontos) e Fundamentos do Bem-estar (49,32). A cidade ficou em último lugar nacional nessas duas áreas.

Necessidades Humanas Básicas (nota 41,56): avalia se a cidade atende às necessidades essenciais de sobrevivência, incluindo saúde primária, nutrição, água, saneamento básico, moradia e segurança. A responsabilidade por esses serviços é da Prefeitura e do Governo do Estado.

Fundamentos do Bem-estar (nota 49,32): mede as estruturas para manter a qualidade de vida, como acesso ao ensino fundamental e médio, sinal de internet, telefonia, expectativa de vida e preservação ambiental.

Na área de Oportunidades, o município registrou 36,45 pontos, analisando direitos individuais, liberdades de escolha, inclusão social e acesso ao ensino superior.

O município mais indígena do Brasil

Uiramutã está localizado na tríplice fronteira do Brasil com a Venezuela e a Guiana, a cerca de 280 km de Boa Vista. O acesso é difícil, majoritariamente por estradas de terra, com viagem de carro que pode durar até 12 horas. A cidade tem 13.751 habitantes, dos quais 13.283 (96,6%) se autodeclaram indígenas, segundo o Censo 2022 do IBGE, sendo proporcionalmente o município mais indígena do Brasil.

O município possui o menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita do país, com R$ 11.985,64 (dados de 2020 do IBGE). Além disso, 52,4% da população sobrevive com renda de até meio salário mínimo por pessoa. Uiramutã acumula vulnerabilidades históricas, com desafios como:

  • Extrema pobreza: economia baseada na agricultura de subsistência, com escoamento limitado.
  • Isolamento e logística cara: estradas de terra irregulares encarecem produtos básicos. Em março de 2026, a gasolina atingiu R$ 9,29 o litro, a mais cara de Roraima.
  • Vulnerabilidade climática: no período de chuvas, as 222 comunidades enfrentam cheias de rios. Em 2025, enchentes destruíram pontes, plantações e deixaram crianças sem aulas, isolando mais de 60% da população. A Prefeitura decretou situação de emergência até janeiro de 2026.
  • Segurança alimentar em risco: as enchentes de 2025 destruíram plantações de mandioca em comunidades como Makuken, onde a farinha, base da alimentação local, pode levar até dois anos para ser reposta.

Posição de Boa Vista e Roraima

A capital Boa Vista alcançou 64,49 pontos, ocupando o 1.050º lugar no ranking nacional geral e a 19ª posição entre as 27 capitais brasileiras. No ranking das unidades federativas, Roraima ficou em 19º lugar, com média de 59,65, superando vizinhos da Região Norte como Amazonas (20º), Rondônia (23º), Amapá (24º), Acre (25º) e Pará (27º), ficando abaixo apenas de Tocantins (17º).

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) coordena o IPS Brasil em parceria com a organização internacional Social Progress Imperative.

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