Aumento da tarifa das barcas para R$ 5 provoca reclamações sobre qualidade do serviço
Nesta semana, a tarifa das barcas no Rio de Janeiro foi reajustada de R$ 4,70 para R$ 5, mas o aumento não trouxe as melhorias esperadas pelos usuários. Passageiros de diversas linhas têm relatado uma série de problemas que comprometem a qualidade do serviço, incluindo atrasos frequentes, superlotação e falhas operacionais.
Problemas relatados pelos passageiros nas travessias
Durante uma travessia na estação da Praça Arariboia, em Niterói, com destino à Praça XV, no Centro do Rio, algumas fileiras estavam isoladas com fitas, indicando possíveis problemas de manutenção. Além disso, a embarcação não contava com refrigeração adequada, o que tem tornado as viagens ainda mais desconfortáveis nos dias de calor intenso.
O vigilante Silas Felix compartilhou sua experiência: “Sempre fico perto da janela, deixo tudo aberto, porque não aguento o calor dentro da barca”. A advogada Roberta Bernardes Athayde também expressou sua insatisfação: “Aqui a gente sofre. Quando vem, só tem aqueles ventiladores, e no calor do alto verão não dá vazão”. Ela ainda mencionou problemas nos banheiros, que, segundo ela, “não são bem preservados nem higienizados”.
Reclamações se estendem por múltiplas linhas
A produção do RJ2 recebeu diversas reclamações de passageiros de diferentes rotas:
- Na linha para a Ilha de Paquetá, usuários relataram superlotação, falta de ar-condicionado e atrasos constantes.
- Na linha Praça XV–Niterói, os atrasos também são frequentes, segundo relatos.
- Na linha Cocotá–Praça XV, há queixas sobre embarcações antigas e poucos horários disponíveis.
- Passageiros da Ilha do Governador reclamam da oferta limitada de viagens, o que dificulta a mobilidade.
Um passageiro enviou imagens registradas durante o temporal de domingo (8), na travessia Paquetá–Praça XV, que mostram água entrando pelo teto em diferentes pontos da embarcação, evidenciando problemas de infiltração e manutenção precária.
Contexto do reajuste tarifário
Neste domingo (8), a tarifa das barcas foi reajustada de R$ 4,70 para R$ 5. Em março do ano passado, o valor da passagem havia sido reduzido de R$ 7,70 para R$ 4,70, enquanto a linha Charitas teve queda de R$ 21 para R$ 7,70 — trecho que não sofreu reajuste e mantém o mesmo preço atualmente.
A redução anterior das tarifas foi possível após a mudança no modelo de pagamento da concessionária, que desde fevereiro de 2025 passou a receber do governo com base nas milhas náuticas percorridas, e não apenas no número de passageiros transportados. A frota do consórcio Barcas Rio é composta por 17 embarcações e transporta mais de 45 mil pessoas por dia. O contrato de concessão teve início em janeiro do ano passado e vai até dezembro de 2029.
Para o entregador Lucas Ribeiro, o reajuste pesa no bolso: “Para algumas pessoas, alguns centavos podem parecer pouco, mas pra quem tem o dinheiro contado no fim do mês faz uma grande diferença”.
Posicionamento da Secretaria Estadual de Transportes
A Secretaria Estadual de Transporte informou que toda a frota passa por manutenção regular e que novos aparelhos de ar-condicionado devem chegar até o fim do ano, visando melhorar o conforto térmico nas embarcações. Sobre a tarifa, a secretaria afirmou que o novo valor é equivalente ao cobrado nos demais transportes do Rio, buscando alinhar os preços com a realidade do sistema de mobilidade urbana.
No entanto, os passageiros continuam aguardando ações concretas que resolvam os problemas crônicos de atrasos, superlotação e falta de infraestrutura adequada, especialmente após o aumento recente no custo das passagens.