Sancetur e Consórcio Grande Campinas vencem leilão do transporte público de Campinas
Sancetur e Consórcio Grande Campinas vencem leilão em Campinas

Sancetur e Consórcio Grande Campinas vencem leilão para operar transporte público de Campinas

Após décadas de atrasos, entraves judiciais e denúncias de tentativas de fraude, finalmente foi definida nesta quinta-feira (5) a nova concessão do transporte público de Campinas. A empresa Sancetur e o Consórcio Grande Campinas venceram o leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo e serão responsáveis por operar o transporte coletivo da cidade pelos próximos quinze anos, com possibilidade de prorrogação por mais cinco anos.

No entanto, as empresas não assumem imediatamente a gestão do sistema. Existe uma série de etapas legais e administrativas que precisam ser cumpridas antes da assinatura do contrato e do início efetivo da operação. Até lá, o serviço continuará sendo operado pelas empresas atuais, mantendo a normalidade para os usuários.

Próximos passos após o leilão

Em entrevista ao g1, o prefeito de Campinas, Dário Saadi, e o presidente da Emdec, Vinícius Riverete, detalharam os procedimentos que seguirão ao leilão. O primeiro deles exige que as empresas demonstrem capacidade de operar com os novos custos, já que as ofertas originais foram alteradas durante a sessão de lances.

Confira o passo a passo estabelecido:

  1. Entrega das planilhas atualizadas: as empresas vencedoras têm cinco dias úteis, prorrogáveis por mais cinco, para apresentar novas planilhas de custos detalhando todos os gastos da operação ajustados ao valor final da tarifa ofertada.
  2. Análise da Comissão de Licitação: avaliação técnica das planilhas para verificar a viabilidade econômica da proposta, sem prazo definido.
  3. Publicação do julgamento: divulgação oficial do resultado da licitação após a análise.
  4. Apresentação de recursos: período de três dias úteis para que empresas apresentem recursos administrativos contestando o resultado.
  5. Homologação do processo: confirmação oficial dos vencedores após análise de possíveis recursos.
  6. Criação das empresas operadoras: o consórcio vencedor terá até dois meses para constituir as Sociedades de Propósito Específico (SPEs).
  7. Assinatura do contrato: formalização do acordo de concessão com a prefeitura.
  8. Emissão da Ordem de Serviço: o poder público terá até 120 dias para autorizar oficialmente o início dos investimentos.
  9. Início da operação: as empresas terão até 180 dias para adquirir ônibus, estruturar garagens e preparar toda a operação.

Detalhes das propostas vencedoras

O leilão contou com a participação de quatro consórcios e uma empresa. A disputa foi vencida por quem ofereceu as melhores propostas para o município, com as menores tarifas de remuneração. A tarifa de remuneração é o valor médio usado para calcular o repasse da prefeitura aos grupos operadores, baseado na quilometragem rodada e no tipo de ônibus que atenderá cada linha.

Propostas finais apresentadas:

  • Lote Sul (regiões Leste, Sul e Sudoeste): vencido pela Sancetur com oferta de R$ 9,54 (deságio de 14,9%) sobre o teto de R$ 11,21 estabelecido pelo edital.
  • Lote Norte (regiões Norte, Oeste e Noroeste): vencido pelo Consórcio Grande Campinas com oferta de R$ 9,49 (deságio de 19,3%) sobre o teto de R$ 11,76.

A disputa pelo Lote Norte foi particularmente acirrada, com a sessão durando aproximadamente duas horas e contando com a presença do prefeito Dário Saadi, do diretor-presidente da Emdec Vinicius Riverete, do secretário municipal de Transportes Fernando de Caires e outras autoridades.

Investimentos e histórico do processo

Para a construção do edital, a prefeitura analisou 1.100 contribuições apresentadas pela população em consulta pública. O modelo adotado consolida a separação entre tarifa pública (paga pelo usuário) e tarifa de remuneração (paga ao operador), permitindo políticas públicas como subsídios e gratuidades condicionadas à Lei de Responsabilidade Fiscal.

Os investimentos previstos são significativos: quase R$ 900 milhões nos primeiros cinco anos de contrato para renovação da frota de ônibus, mais R$ 800 milhões ao longo dos dez anos restantes, totalizando R$ 1,7 bilhão em 15 anos. Com investimentos em tecnologia embarcada e melhorias em terminais e estações, o montante total chega a R$ 1,9 bilhão.

O processo licitatório tem um histórico complexo. Inicialmente previsto para março de 2016, foi repetidamente adiado devido a avaliações irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Após várias tentativas, incluindo uma licitação deserta em setembro de 2023, a prefeitura recomeçou o processo do zero, realizando nova consulta pública e constituindo Grupo de Trabalho Intersecretarial em junho de 2024.

Finalmente, em dezembro do ano passado, foram realizadas audiências públicas para apresentação da nova proposta de edital à população, culminando no leilão bem-sucedido desta quinta-feira. A definição do novo contrato, que se arrastava como uma verdadeira novela administrativa, finalmente encontra seu desfecho, prometendo melhorias significativas no sistema de transporte coletivo da cidade.