Paralisação de quatro dias chega ao fim com retorno gradual dos ônibus
A greve dos rodoviários que paralisou o sistema de transporte público de São Luís foi suspensa nesta terça-feira (17), permitindo o retorno gradual dos ônibus à circulação. O acordo foi alcançado após uma reunião entre representantes do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) e do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, encerrando quatro dias de paralisação que afetou milhares de passageiros na capital maranhense.
Retorno operacional com 70% da frota inicialmente
Segundo Paulo Pires, diretor do SET, os ônibus devem começar a circular já na manhã desta terça-feira, inicialmente com cerca de 70% da frota disponível. A previsão é que o serviço seja completamente normalizado ao longo do dia. "Vai ser feito o pagamento a partir de amanhã. O sistema volta a rodar, mas essa discussão será retomada daqui a 15 dias, no pagamento do próximo salário", afirmou Pires durante o anúncio do acordo.
As empresas de transporte se comprometeram a regularizar parte dos salários atrasados dos trabalhadores, um dos principais pontos de conflito que motivou a greve. No entanto, o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, Marcelo Brito, deixou claro que a paralisação foi apenas suspensa e não encerrada definitivamente.
Reajuste salarial de 5,5% ainda pendente
A greve foi motivada pelo não pagamento do reajuste salarial de 5,5% determinado pela Justiça do Trabalho em janeiro deste ano. Segundo o sindicato, os trabalhadores têm direito a:
- Salário-base: R$ 2.715,50
- Reajuste devido: R$ 151,52
- Situação: não foi pago, segundo o sindicato
Marcelo Brito afirmou que as empresas prometeram pagar a diferença salarial determinada judicialmente, mas destacou que outras conquistas trabalhistas ainda precisam ser implementadas: "Se não resolver tudo que foi decidido no tribunal até o dia 31, nós vamos voltar a fazer o nosso movimento", alertou o líder sindical.
Benefícios judiciais em discussão
Além do reajuste salarial, o sindicato cobra a implementação de outros benefícios aprovados judicialmente, incluindo:
- Plano odontológico para os trabalhadores
- Seguro de vida
- Exame toxicológico
Brito afirmou que os trabalhadores devem retornar às garagens para retomar as atividades, mas destacou que a categoria espera o cumprimento integral do acordo: "Estamos mostrando para a população que queremos a cidade funcionando, mas também precisamos que os nossos direitos sejam respeitados", disse.
Conflito financeiro com a prefeitura
Durante as negociações, representantes das empresas de transporte cobraram da prefeitura a devolução de valores que teriam sido descontados de forma irregular. Segundo o SET, cerca de R$ 4,5 milhões, referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2025, teriam sido retidos pelo município por meio de glosas — descontos que, segundo as empresas, não estariam previstos em contrato.
"Esse dinheiro ficou retido pelo município e as empresas têm dificuldade de operar, ainda mais com a nova crise dos combustíveis", afirmou Paulo Pires, referindo-se ao aumento recente no preço do diesel.
Posicionamento da prefeitura
A Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), alega que vem cumprindo regularmente todas as suas obrigações financeiras com o sistema de transporte público. Em nota oficial, a SMTT afirmou que "causa estranheza o fato de que, mesmo recebendo regularmente os recursos devidos pelo Município, as empresas não tenham garantido a implementação do reajuste e benefícios assegurados aos trabalhadores rodoviários".
Durante a greve, a prefeitura liberou vouchers em um aplicativo de transporte para garantir o deslocamento dos usuários do sistema público. Além disso, o município ingressou com uma ação na Justiça do Trabalho pedindo a declaração de abusividade da greve e adoção de medidas que assegurem a circulação mínima do transporte coletivo.
Segunda greve em menos de três meses
Esta é a segunda vez, em menos de três meses, que São Luís enfrenta uma greve de ônibus. De acordo com o sindicato, cerca de 4,5 mil a 5 mil trabalhadores atuam atualmente no sistema de transporte público da Grande São Luís. A paralisação anterior ocorreu em janeiro e durou oito dias, resultando na decisão judicial que determinou o reajuste salarial de 5,5%.
Os quatro dias de greve causaram transtornos significativos para a população. Nas primeiras horas da manhã de segunda-feira (16), quem saiu de casa para trabalhar, estudar ou cumprir outros compromissos não encontrou nenhum ônibus urbano circulando. Sem o serviço, milhares de passageiros enfrentaram atrasos, longas esperas e custos maiores com transportes alternativos.
Apesar do retorno dos ônibus, a situação permanece instável. O sindicato dos rodoviários afirma que, caso as medidas acordadas não sejam implementadas integralmente até o fim do mês, uma nova paralisação não está descartada, mantendo a população em alerta sobre a continuidade do serviço de transporte público na capital maranhense.



