Greve de rodoviários completa quarto dia e paralisa transporte urbano em São Luís
A paralisação parcial dos rodoviários do sistema urbano de São Luís atingiu seu quarto dia consecutivo nesta segunda-feira, 16 de setembro, sem qualquer perspectiva imediata de acordo entre trabalhadores e empresas operadoras. De acordo com o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão (Sttrema), a greve é uma resposta direta ao não pagamento do reajuste salarial de 5,5%, determinado judicialmente em janeiro deste ano, após uma paralisação anterior que durou oito dias.
Impacto imediato na população
Nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, milhares de passageiros que dependem do transporte público para trabalhar, estudar ou cumprir compromissos essenciais encontraram os terminais vazios e as ruas sem qualquer ônibus urbano em circulação. A ausência do serviço obrigou a população a enfrentar atrasos significativos, longas esperas em pontos de ônibus e custos adicionais elevados com transportes alternativos, como táxis e aplicativos de mobilidade.
Os ônibus do sistema semiurbano, que atendem bairros dos municípios de Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar, continuam circulando normalmente, mas com uma restrição importante: não estão autorizados a entrar nos terminais de integração de São Luís, o que limita ainda mais as opções de deslocamento dos usuários.
Reajuste salarial descumprido gera impasse
O centro do conflito reside no descumprimento do reajuste salarial de 5,5% que deveria ter sido implementado desde janeiro. Segundo dados do Sttrema, o salário-base dos rodoviários é de R$ 2.715,50, com um reajuste devido de R$ 151,52 que ainda não foi pago pelas empresas. O presidente do sindicato, Marcelo Brito, afirmou no domingo, 15 de setembro, que até o momento a entidade não foi convocada para qualquer negociação para resolver o impasse, e não há reuniões marcadas para buscar uma solução.
Esta é a segunda greve de ônibus que São Luís enfrenta em menos de três meses, evidenciando a crise crônica no sistema de transporte público da capital maranhense. O sindicato estima que entre 4,5 mil e 5 mil trabalhadores atuam atualmente no sistema de transporte da Grande São Luís.
Respostas da Prefeitura e das empresas
A Prefeitura de São Luís, através da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), alega que vem cumprindo regularmente todas as suas obrigações financeiras com o sistema de transporte público, realizando os repasses de subsídios às empresas em dia, sem deduções ou atrasos. Para mitigar os impactos da greve, o Município liberou vouchers em um aplicativo de transporte para garantir o deslocamento dos usuários cadastrados no sistema.
Além disso, a Prefeitura ingressou na Justiça do Trabalho na quinta-feira, 12 de setembro, com uma ação pedindo a declaração de abusividade da greve e a adoção de medidas que assegurem uma circulação mínima do transporte coletivo, conforme determina a legislação para serviços essenciais.
Por outro lado, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) contesta as alegações municipais, afirmando que o subsídio pago pela Prefeitura permanece o mesmo de janeiro de 2024, mesmo com dois reajustes salariais concedidos aos trabalhadores e aumentos em todos os outros custos operacionais. O SET também destacou que a SMTT não compareceu às audiências na Justiça do Trabalho e que o preço do diesel aumentou significativamente, agravando a crise financeira do setor.
Investigação do Ministério Público do Maranhão
A paralisação ocorre em meio a um inquérito civil conduzido pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA), que investiga falhas na prestação do serviço, paralisações recorrentes, problemas estruturais e possíveis irregularidades na gestão e operação do sistema de transporte da capital. A investigação tem como foco o Município de São Luís, o SET, os consórcios Central, Via SL e Upaon-Açu, além da empresa Viação Primor Ltda.
Como providências iniciais, o MPMA solicitou à SMTT e ao SET uma série de documentos, incluindo informações detalhadas sobre todas as linhas do sistema, itinerários, consórcios, concessionárias, frotas, planilhas de custos, valores de subsídios tarifários pagos entre 2021 e 2026, número de novos ônibus incorporados ao sistema no mesmo período e medidas adotadas pela Prefeitura para corrigir falhas na prestação do serviço.
A crise no transporte público de São Luís reflete um cenário de conflitos persistentes entre trabalhadores, empresas e poder público, com a população pagando o preço mais alto pela falta de solução efetiva e diálogo entre as partes envolvidas.



