BRT de Campinas acumula 418 reclamações em três anos por falhas e demora nas linhas
Quase um ano após o início da operação completa, o sistema de corredores de ônibus BRT de Campinas, no interior de São Paulo, que prometia mais rapidez e eficiência no transporte público, acumula uma série de problemas e um salto expressivo no número de reclamações dos usuários. Queixas sobre atrasos constantes, falta de manutenção adequada nas estações e graves deficiências de infraestrutura fizeram o total de registros na Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) alcançar a marca de 418 em apenas três anos, com um aumento alarmante de 347% de 2023 para 2024.
Números das reclamações sobre o BRT na Emdec
- 2023: 42 reclamações registradas
- 2024: 188 reclamações registradas
- 2025: 188 reclamações registradas
- 2026: 6 reclamações registradas (até 15 de março)
O sistema, que começou a ser implementado em 2017 e atende hoje mais de 73 mil passageiros por dia útil nos corredores Campo Grande e Ouro Verde, apresenta uma realidade bem diferente da prometida. Os usuários enfrentam mato alto que encobre placas de identificação, lixo acumulado, calçadas danificadas e falhas operacionais recorrentes, como portas de estações que não abrem, impedindo o embarque e desembarque.
Problemas encontrados nas estações
Em uma inspeção realizada pela reportagem da EPTV, diversos problemas foram identificados em várias estações do BRT:
- Estação Vila Teixeira: Mato no canteiro central tão alto que esconde a placa de identificação. A passageira Rosângela, com 1,49m de altura, relatou: "Tá mais alto do que eu. Faz muito tempo que não corta".
- Estação Vila Teixeira: Piso tátil danificado e sacos de lixo abandonados, comprometendo a acessibilidade e a limpeza.
- Problemas operacionais: Portas que não abrem, fazendo com que motoristas não parem nos pontos, conforme denúncia da telefonista Cristina Rodrigues.
- Estação Jardim Miranda: Sujeira visível e falta crônica de bancos. A passageira Maria Rosa desabafou: "É muita gente, menos banco. As pessoas ficam meia hora, mais de meia hora em pé".
- Estação Nova Esperança: Piso danificado, criando riscos de acidentes para os usuários.
Atrasos e descrédito no sistema
A promessa inicial de intervalos de apenas 5 minutos entre os ônibus do sistema BRT está longe de ser cumprida. A reportagem cronometrou uma espera de quase 9 minutos em um horário de menor fluxo, mas usuários relatam situações ainda piores. A artista plástica Romilda Dias afirmou: "Normalmente nem é de 10 minutos, às vezes até de 20 minutos". Questionada se já havia feito reclamações pelos canais oficiais, ela expressou frustração: "Não adianta. Você fala, prega no deserto, você fala ao vento", refletindo o descrédito de parte dos passageiros.
Posicionamento dos responsáveis
A Secretaria de Serviços Públicos de Campinas informou que realiza manutenção frequente para roçar o mato no entorno da estação Vila Teixeira e que uma nova limpeza deve ocorrer até o final da próxima semana. Já a Emdec, responsável pela gestão do transporte, atribuiu a alta nas reclamações ao início da operação de novas linhas no sistema. Sobre a falta de bancos, a empresa alegou que o problema é motivado por vandalismo e furto.
A Emdec também afirmou que casos como falha nas portas são "situações pontuais", e que a manutenção é acionada para resolver o problema em cerca de 15 minutos. Quanto aos atrasos, a empresa admitiu que a operação está comprometida por "situações recorrentes da falta de veículos" e que tem cobrado as empresas operadoras pela manutenção preventiva da frota, visando melhorar a pontualidade e a qualidade do serviço oferecido à população.



