
Imagine tentar pegar um ônibus vendado, com alguém gritando o número da linha mas você não tem certeza se é o seu. Agora multiplique isso por 365 dias. Essa é a realidade crua que muitos brasilienses enfrentam — e não, não é exagero.
O DF, essa joia arquitetônica que deveria ser exemplo de planejamento, parece ter esquecido uma parte fundamental da sua população. Deficientes visuais dependem da boa vontade — ou não — de motoristas e outros passageiros. Cadeirantes? Esses então enfrentam uma verdadeira gincana para subir nos coletivos.
O Dia a Dia Que Poucos Veem
"Às vezes o motorista passa direto, nem para". O relato é de João Silva (nome fictício, mas a história é real), que há cinco anos luta contra a invisibilidade no transporte público. Ele não vê, mas sente na pele o descaso.
E não para por aí. Quando o ônibus finalmente para, ainda tem a questão do braille — ou melhor, da falta dele. As placas com informações em braille? Uma piada de mau gosto espalhada pelas estações.
Cadeiras de Rodas e a Batalha dos Degraus
Se você acha difícil carregar aquelas compras pesadas do mercado, tente fazer isso em uma cadeira de rodas. Maria Santos (outro nome fictício, mas a dor é genuína) conta que já perdeu compromissos importantes porque simplesmente não conseguiu embarcar.
"Tem dias que eu desisto e volto pra casa". A frase dela ecoa como um soco no estômago de qualquer um que ainda acredita em inclusão.
E As Soluções? Onde Ficaram?
Ah, as promessas! Todo mundo adora um discurso bonito sobre acessibilidade, não é mesmo? Só que na prática... Bom, na prática o que temos são elevadores quebrados, rampas improvisadas e motoristas mal-treinados.
É como se planejassem o sistema para pessoas que andam, veem e ouvem perfeitamente — e esquecessem que existem humanos reais usando o transporte.
O Que Dizem as Autoridades?
Claro, sempre tem aquelas respostas prontas: "estamos trabalhando para melhorar", "faz parte dos nossos planos futuros". Enquanto isso, no mundo real, pessoas reais continuam sendo deixadas para trás — literalmente.
Será que precisamos de mais leis? Ou será que precisamos é de compaixão — daquelas de verdade, que fazem parar o ônibus mesmo com atraso?
No final do dia, a questão é simples: um sistema de transporte que não serve a todos, não serve direito a ninguém. E o DF, com toda sua grandiosidade, ainda precisa aprender essa lição básica de humanidade.