Ciclistas de Campinas enfrentam poças, desníveis e mato alto em ciclovias deterioradas
Ciclovias em Campinas têm poças, desníveis e mato alto

Ciclovias de Campinas apresentam problemas graves que comprometem segurança dos usuários

Os ciclistas de Campinas enfrentam sérias dificuldades ao utilizar as ciclovias e ciclofaixas da cidade. Trechos completamente destruídos, poças de água, desníveis perigosos, mato alto invadindo a pista e concreto solto são alguns dos problemas relatados por quem usa a bicicleta como meio de transporte ou lazer na metrópole paulista.

Infraestrutura projetada para segurança apresenta falhas críticas

As ciclovias e ciclofaixas são infraestruturas essenciais destinadas ao uso seguro de bicicletas, separando os ciclistas do trânsito de veículos motorizados e pedestres. Segundo a Prefeitura de Campinas, a cidade conta atualmente com aproximadamente 120 quilômetros de rotas onde a preferência é da bicicleta. No entanto, a realidade encontrada pelos usuários diverge significativamente do propósito original dessas vias.

Problemas específicos em diferentes regiões da cidade

No encontro entre a Avenida Norte-Sul e a Rua Mendes Júnior, no Cambuí, um bueiro acumula restos de vegetação e lixo a cada chuva, obrigando os ciclistas a desviarem ou passarem por cima do obstáculo. A pedagoga e ciclista Ana Moraes relata o perigo da situação: "Você pode cair, não sabe o que tem aí embaixo, pode sair um bicho em você. Falta limpeza, falta manutenção, é um descaso".

As emendas das placas de concreto ao longo da Avenida Norte-Sul apresentam defeitos significativos, criando "vãos" na pista que causam impactos desagradáveis durante o trajeto. Marcelo Sandolim, coordenador industrial e ciclista, explica o problema: "Entre uma placa e outra tem a parte de expansão. Quando faz muito calor, só que as que estão muito grandes estão quebradas. Então, quando passa com a roda, ela vai dar aqueles soquinhos".

Vegetação invasora e trechos completamente destruídos

Na ciclovia da Avenida Isaura Roque Coércia, que leva até o distrito de Sousas, o mato cresceu em volta da pista de forma preocupante. Conforme o ciclista avança, a vegetação vai ficando maior, obrigando a redução de velocidade para evitar que as plantas batam com força na pessoa. A aposentada e ciclista Maria Beatriz Lizarga descreve a dificuldade: "Difícil, para ser mais exata, diria que péssimo nessa parte aqui, porque a gente tem que ficar empurrando esse mato para poder passar e além de se cortar também".

Na Avenida Pio 12, ao lado da escola de cadetes, o mato alto também começa a invadir a área dos ciclistas. Já na ciclovia da Rua Moscou, o trecho está completamente destruído: uma raiz estourou toda a calçada, há galhos caídos e até um buraco considerável. David Batista, consultor de vendas e ciclista, relata a situação: "Está difícil porque falta manutenção. Quebra e não vem arrumar, aí o buraco vai abrindo cada vez mais, aí fica difícil. E o ciclista precisa pular para a rua".

Posicionamento oficial da Emdec sobre a manutenção

Em nota, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), sociedade que atua na gestão do transporte público municipal, afirmou que realiza manutenções periódicas nas ciclovias da cidade. A empresa informou que uma equipe realiza trabalhos na rota cicloviária do Jardim Florense e que estão previstos reparos no piso da estrutura que fica na avenida Teodureto de Almeida Camargo.

A Emdec garantiu que serão realizadas vistorias nas ciclovias citadas na reportagem e explicou que, em relação à ciclofaixa de lazer da Norte-Sul, não foi possível ativar a operação em função do grande número de blocos de carnaval que necessitavam do apoio dos agentes na mobilidade urbana.

Apesar das promessas de manutenção, os ciclistas continuam enfrentando diariamente os problemas estruturais que comprometem sua segurança e conforto ao utilizar as vias destinadas especificamente para as bicicletas em Campinas.