Ciclovias 'desconectadas' no Rio obrigam ciclistas a dividir espaço com carros em risco
Ciclovias desconectadas no Rio forçam ciclistas a dividir espaço com carros

Ciclovias 'desconectadas' no Rio obrigam ciclistas a dividir espaço com carros em risco

Ciclovias que começam e terminam sem ligação com outros trechos têm se tornado um problema recorrente para quem circula de bicicleta no Rio de Janeiro. Em diferentes regiões da cidade, há pistas que acabam abruptamente, obrigando ciclistas a seguir pela rua, em meio aos carros, ou pela calçada, o que é proibido por lei.

Exemplos de descontinuidade em diversas regiões

Na Rua Marquês de Pombal, no Centro, um trecho de ciclovia não se conecta a nenhuma outra via cicloviária. O espaço delimitado para bicicletas começa e termina na própria rua, sem continuidade. Além disso, a faixa de estacionamento, afastada da calçada, compromete a visibilidade de motoristas que tentam acessar a Rua Irineu Marinho, aumentando significativamente o risco de acidentes.

Situações semelhantes foram identificadas em outros pontos da cidade:

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  • Na Rua Humaitá, esquina com a Rua Visconde de Silva, a ciclovia termina em um muro
  • Na Rua General Polidoro, em frente ao Cemitério São João Batista, o trajeto acaba em um cruzamento
  • Em Copacabana, na Rua Xavier da Silveira, a ciclovia começa na Rua Pompeu Loureiro, passa por um trecho estreito e termina na esquina com a Avenida Atlântica, sem ligação com a ciclovia da orla
  • Em Ipanema, na Rua Maria Quitéria com a Rua Prudente de Moraes, a faixa exclusiva também termina antes de alcançar a ciclovia da praia
  • Na Rua General Garzon, entre o Jardim Botânico e a Avenida Borges de Medeiros, o trajeto termina na calçada, sem sinalização para travessia até a ciclovia da Lagoa

Nesse último caso, o ciclista precisa seguir pela rua até um semáforo distante ou retornar pela calçada, criando uma situação de vulnerabilidade.

Problemas adicionais relatados por ciclistas

Além da falta de conexão, ciclistas relatam outros problemas graves:

  1. Veículos estacionados ou circulando em faixas exclusivas
  2. Buracos e irregularidades no pavimento
  3. Falhas de sinalização
  4. Pouca fiscalização por parte das autoridades

Especialistas apontam riscos à segurança

Especialistas apontam que a descontinuidade da malha cicloviária compromete seriamente a segurança dos usuários. Leandro da Rocha Vaz, professor de Estradas e Transportes da Uerj, sugere medidas para reduzir conflitos no trânsito.

"Na Ponte Rio-Niterói, limitaram o horário da movimentação de caminhões para diminuir a concorrência com os veículos. Uma sugestão seria limitar os autopropelidos nos horários de rush e estabelecer rotas seguras em ruas mais largas", propôs o especialista.

Promessas e metas da Prefeitura

A ampliação da malha cicloviária é uma promessa antiga da Prefeitura do Rio. Em 2023, foi lançado o Plano de Expansão Cicloviária, o CicloRio, com a meta ambiciosa de alcançar 1.000 quilômetros de ciclovias até 2033.

Na época, a prefeitura informou que pretendia implantar mais 600 km de faixas exclusivas, além dos cerca de 487 km existentes. Também foi anunciado o objetivo de conectar ciclovias a estações de transporte público, como BRT, VLT, metrô e barcas.

Dados atuais e posicionamento das autoridades

Dados mais recentes da CET-Rio indicam que a cidade tem atualmente 501,86 km de infraestrutura cicloviária. Entre 2023 e 2025, houve crescimento de apenas 13,15 km, um ritmo considerado lento por especialistas.

Procurada, a CET-Rio informou que as conexões estão sendo reavaliadas e que a implantação de ciclovias depende de fatores como dimensões das vias, fluidez do tráfego, uso do entorno, segurança, drenagem e pavimentação.

A Prefeitura do Rio afirmou que o plano de expansão segue em andamento e que a meta atual é ampliar a rede em 50 quilômetros até 2028. Questionada sobre a atualização do plano para incluir bicicletas elétricas, que têm crescido significativamente na cidade, não houve retorno por parte das autoridades.

A situação das ciclovias desconectadas no Rio de Janeiro continua sendo um desafio para a mobilidade urbana, colocando em risco a segurança de milhares de ciclistas que utilizam esse meio de transporte diariamente na cidade.

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