O automóvel Concorde, uma joia da indústria artesanal brasileira frequentemente comparada ao luxuoso Rolls-Royce, está prestes a completar 50 anos em 2026. Inspirado nos clássicos automotivos dos anos 1930, como Auburn, Cord e Duesenberg, este veículo será uma das atrações principais do 11º Encontro Brasileiro de Autos Antigos (EBAA), que ocorrerá entre 4 e 7 de junho em Águas de Lindóia, no interior de São Paulo.
Produção limitada e distribuição internacional
Apenas 25 unidades do Concorde foram fabricadas de forma totalmente artesanal e sob encomenda, refletindo seu caráter exclusivo. Atualmente, 16 exemplares permanecem no Brasil, enquanto seis estão nos Estados Unidos. Um desses carros já retornou ao país, e outros três passaram por modificações na década de 1990, dando origem a um novo modelo derivado.
Origens e inspiração histórica
Criado em Jundiaí (SP) pelo colecionador João Storani e posteriormente produzido em Vinhedo (SP), o projeto teve início em 1974 como uma realização pessoal. O nome foi inspirado na Praça da Concórdia, em Paris, coincidindo com o lançamento do avião supersônico Concorde, que revolucionou a aviação com suas viagens transatlânticas em velocidade superior ao dobro do som.
Com o apoio de pioneiros do colecionismo, como o empresário Eduardo Matarazzo, Storani exibiu o Concorde pela primeira vez em 1976, no 10º Salão do Automóvel. Renato Storani, neto de João e atual responsável pela marca, explica que o fechamento das importações durante o regime militar, uma política mantida até 1992, criou uma oportunidade única para oferecer um produto diferenciado no mercado nacional.
Características técnicas e design único
O Concorde se destacava por sua carroceria em fibra de vidro e um chassi próprio reforçado em “X”, com entre-eixos 40 centímetros mais longo que o do Ford Galaxie. A mecânica utilizava componentes autorizados da Ford, incluindo motor, câmbio automático, diferencial e suspensão do Galaxie/Landau, enquanto a versão manual empregava a caixa de quatro marchas do Ford Maverick GT.
O interior era luxuoso, com acabamento em couro legítimo e painel em jacarandá. Renato Storani ressalta que cada Concorde era único, pois os clientes tinham flexibilidade para personalizar os acabamentos, antecipando a tendência de carros retrôs que só se popularizaria décadas depois.
Em entrevista ao Correio Popular em 1978, João Storani comparou o modelo de cinco lugares a um Rolls-Royce, destacando seu consumo de combustível inferior ao do Galaxie/Landau e peso aproximado de 1,5 toneladas. As especificações técnicas incluíam comprimento de 5,20 m, largura de 1,80 m, distância entre eixos de 3,50 m, altura livre do solo de 0,15 m e altura até a capota de 1,40 m.
Legado e evento comemorativo
João Storani, descrito como autodidata e com forte ligação com a arte, projetou pessoalmente o chassi, a primeira roda, o cubo e os raios do carro. Seu legado inclui quatro filhos, cada um com um exemplar do Concorde, e oito netos, com os filhos João Antônio e César participando ativamente da idealização e engenharia do veículo.
O 11º Encontro Brasileiro de Autos Antigos, realizado na Praça Adhemar de Barros em Águas de Lindóia, não apenas exibirá o Concorde, mas também contará com praça de alimentação, feira de peças e estandes especializados. Júnior Abonante, organizador do EBAA, enfatiza que o carro representa o talento e a criatividade da indústria artesanal nacional, sendo uma homenagem vital para preservar o patrimônio cultural brasileiro.



