Acidente do voo AF447: Justiça francesa julga apelação de Airbus e Air France
Voo AF447: apelação de Airbus e Air France é julgada

O acidente do voo AF447, ocorrido em 1º de junho de 2009, quando um Airbus A330 da Air France caiu no Oceano Atlântico durante a rota Rio-Paris, matando 228 pessoas, volta ao centro das atenções. Nesta quinta-feira (21), a Justiça francesa divulga o veredicto do julgamento de apelação, que pode condenar a fabricante Airbus e a companhia aérea Air France por homicídio culposo. O primeiro julgamento, em abril de 2023, absolveu as empresas, mas o Ministério Público recorreu, pedindo a condenação.

O acidente e suas consequências

O voo AF447 partiu do Rio de Janeiro com destino a Paris, transportando passageiros de 33 nacionalidades, incluindo 61 franceses e 58 brasileiros. A tripulação de 12 pessoas era composta por 11 franceses e um brasileiro. Horas após a decolagem, a aeronave caiu durante a noite em uma região de condições meteorológicas adversas, próxima à Linha do Equador.

Causas do acidente

As caixas-pretas revelaram que o congelamento das sondas Pitot, responsáveis por medir a velocidade externa do avião, foi a origem do desastre. A Airbus é acusada de subestimar a gravidade das falhas dessas sondas e de não ter tomado medidas urgentes para informar as companhias aéreas. Já a Air France é acusada de não fornecer treinamento adequado aos pilotos sobre situações de congelamento das sondas e de não informar suficientemente as tripulações.

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O julgamento de apelação

No primeiro julgamento, o tribunal correcional de Paris absolveu as empresas, reconhecendo 'imprudências' e 'negligências', mas sem estabelecer 'nexo causal seguro' com o acidente. O Ministério Público, no entanto, mudou de posição e, em novembro, pediu a condenação por homicídio culposo. Os promotores criticaram a defesa das empresas, chamando-a de 'indecente', e afirmaram que uma condenação seria 'simbólica', já que a multa máxima para pessoas jurídicas é de 225.000 euros.

Defesa das empresas

Airbus e Air France negam responsabilidade penal, atribuindo o acidente a decisões equivocadas dos pilotos em uma situação de emergência. Para o Ministério Público, as falhas das empresas estão 'caracterizadas' e 'contribuíram de forma certa' para o acidente. O promotor Rodolphe Juy-Birmann afirmou que a condenação 'lançará o opróbrio' sobre as empresas e servirá como 'advertência'.

O desfecho deste julgamento pode marcar um novo capítulo na história da aviação comercial, reforçando a importância da segurança e da responsabilidade das empresas envolvidas.

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