Ônibus a 110 km/h em trecho de 80 km/h causou acidente fatal na BR-365, diz PRF
Velocidade acima do limite causou acidente fatal na BR-365

Um laudo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontou que a velocidade acima do permitido foi a principal causa do acidente fatal envolvendo um ônibus de turismo na BR-365, no dia 6 de janeiro. O veículo capotou e deixou um saldo de seis pessoas mortas e mais de 40 feridas.

Excesso de velocidade e pista molhada

De acordo com os dados extraídos do cronotacógrafo do ônibus, o veículo trafegava a aproximadamente 110 km/h no momento do acidente. O trecho do km 372 da rodovia, no sentido crescente, possui sinalização que indica velocidade máxima de 80 km/h. O laudo pericial concluiu que a combinação entre a alta velocidade e as condições da pista, que estava molhada e escorregadia na ocasião, provavelmente levou ao capotamento.

A investigação também revelou outras irregularidades. Os dois motoristas que conduziam a viagem não possuíam os cursos obrigatórios atualizados para exercer a atividade. Diante das evidências, o caso está sendo tratado como homicídio culposo (sem intenção de matar).

Detalhes da viagem e consequências do acidente

O grupo de 53 pessoas, sendo 51 passageiros, havia saído de Uberlândia no dia 27 de dezembro para passar o réveillon em Salvador, na Bahia. O retorno estava programado para o dia 3 de janeiro. O ônibus era fretado pela agência China Excursões e Eventos, que, em nota, lamentou o ocorrido e afirmou não ter frota própria, utilizando veículos de terceiros.

O acidente, classificado como 'gravíssimo' pela PRF, ocorreu por volta das 10h da manhã, no km 377 da BR-365, a cerca de 30 quilômetros de Patos de Minas. O veículo derrapou, capotou e atingiu alguns eucaliptos à margem da rodovia, com o impacto danificando parte do teto.

Quatro vítimas continuam internadas em Patos de Minas. Três delas estão no Hospital Antônio Dias e uma na Santa Casa de Misericórdia, segundo a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).

Irregularidades regulatórias e investigações em andamento

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que, embora o ônibus da empresa RS Turismo (placa MTR-4E77) e a própria transportadora estivessem regulares no cadastro do órgão, a viagem específica não tinha a Licença de Viagem emitida, documento obrigatório para fretamentos.

Além disso, o Ministério dos Transportes afirmou que a China Excursões e Eventos não possui o Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur), registro obrigatório para agências do setor. O Procon de Patos de Minas instaurou um inquérito para apurar as condições do transporte, e a Polícia Civil também abriu investigação sobre o caso.

A PRF divulgou os nomes das seis vítimas fatais: Jean Carlos da Victória, 51 anos; Leonardo Rocha Francalanci, 39 anos; Lidiane da Rocha, 44 anos; Maria das Graças Nunes de Oliveira, 49 anos; Paula de Oliveira Medeiros, 47 anos; e Rita Shirley Carvalho, 75 anos. A maioria era residente em Uberlândia.