Tartaruga-marinha presa em rede é resgatada por atletas de remo em Florianópolis
Tartaruga resgatada por remadores em SC

Uma tartaruga-marinha presa em uma rede de pesca foi resgatada por atletas que praticavam remo durante um treino na Baía Sul, em Florianópolis, nesta segunda-feira (4). A ação foi registrada pela atleta paralímpica Marcela Teixeira, que gravava o treino por meio de óculos inteligentes.

O resgate

Marcela contou ao g1 que estava treinando ao lado do atleta olímpico Pedro Duarte quando perceberam algo preso em uma rede no mar. No vídeo, é possível ver a mobilização dos esportistas e do pescador que havia lançado a rede para salvar o animal. “De longe, achei que fosse um pássaro. Avisei o Pedro para ir olhar, mas quando ele se aproximou viu que era uma tartaruga”, relatou.

Ação rápida

Ao identificar o animal, Pedro pulou na água para tentar soltá-lo. Segundo ele, a tartaruga estava com a rede enrolada no pescoço e tinha dificuldade para subir à superfície e respirar. “Estávamos remando quando vimos algo se debatendo muito na rede. Quando percebi que era uma tartaruga, pulei na água na hora. Tentei arrebentar a rede com as mãos, mas não consegui”, disse o atleta.

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Enquanto Pedro tentava libertar o animal, Marcela voltou para buscar ferramentas que pudessem ajudar a cortar a rede. No caminho, outros envolvidos se aproximaram para auxiliar no resgate, incluindo o treinador de outra equipe e o próprio pescador responsável pela rede. De acordo com Marcela, o pescador autorizou o corte do equipamento para salvar a tartaruga. Após alguns minutos de esforço conjunto, a tartaruga foi finalmente libertada e devolvida ao mar. “Ele disse que, quando encontram animais vivos presos, eles mesmos cortam a rede. Então todo mundo se juntou para ajudar”, afirmou.

União entre rivais

O resgate também chamou atenção pela união entre diferentes equipes. Marcela e Pedro são atletas do Clube Náutico Aldo Luiz e contaram com a ajuda do treinador de uma equipe considerada rival, o Martinelli, que não hesitou em colaborar no momento do resgate. “Foi muito bonito, porque não existia rivalidade naquele momento. Todo mundo estava unido para salvar uma vida”, disse Marcela.

Riscos e orientações

O biólogo Daniel Rogério, do Projeto Tamar, explica que tartarugas marinhas respiram ar, assim como os humanos, e não conseguem respirar debaixo d’água. “Quando ficam presas em redes de pesca por muito tempo, podem morrer afogadas. Em situações de estresse, como quando estão tentando se soltar, elas gastam muita energia e podem se afogar em poucos minutos”, alertou.

Ele também destacou que o resgate por pessoas sem treinamento pode ser perigoso. Segundo o especialista, após o resgate, o recomendado é encaminhar o animal para avaliação de equipes especializadas, como as do Projeto Tamar, já que não é possível saber quanto tempo a tartaruga ficou sem respirar. “Existe o risco de quem tenta ajudar também se enroscar na rede. O ideal é acionar os órgãos competentes, como o Batalhão Ambiental da Polícia Militar”, orientou.

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