Os restos do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Cuiabá e região, obra anunciada para a Copa do Mundo de 2014 e jamais concluída, agora são considerados sucata e serão leiloados pelo Governo de Mato Grosso. O edital foi publicado pela Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão (Seplag) no Diário Oficial da última sexta-feira (15). Entre os itens colocados à venda estão trilhos já instalados, postes semafóricos, transformadores, bobinas de cabos, equipamentos de áudio e grandes estruturas de concreto que integravam o projeto de mobilidade urbana da capital, que custou mais de R$ 1 bilhão e foram demolidos poucos anos depois.
Leilão marcado para junho
O leilão está agendado para 15 de junho e reúne dezenas de lotes classificados pelo próprio edital como “sucatas, sucateados, ultrapassados, antigos ou obsoletos”. Os maiores valores concentram-se em lotes de vigas pré-moldadas usadas em pontes e viadutos. O lote 24, com 100 vigas, foi avaliado em R$ 5 milhões. Já os lotes 24A e 24B, que somam outras 175 vigas, têm valor estimado em aproximadamente R$ 8,75 milhões.
Materiais leiloados
- Cerca de 5 mil metros de trilhos concretados do VLT, avaliados em R$ 18 mil;
- 500 postes semafóricos de aço, avaliados em R$ 140 mil;
- Equipamentos da rede elétrica aérea, incluindo isoladores, chaves e tirantes, estimados em R$ 1,5 milhão;
- 37 processadores de áudio, avaliados em R$ 800 mil;
- 80 bobinas de cabos de comunicação, avaliadas em R$ 700 mil;
- Um transformador de 1.500 KVA, avaliado em R$ 100 mil.
Ao todo, a expectativa do governo é arrecadar cerca de R$ 21 milhões com a venda dos materiais remanescentes do modal.
Histórico do VLT
O VLT começou a ser implantado em Cuiabá e Várzea Grande como uma das principais obras de mobilidade para a Copa de 2014. O projeto previa duas linhas ligando o aeroporto, o centro político-administrativo e a região do Coxipó. As obras, porém, foram marcadas por atrasos, suspeitas de superfaturamento e paralisações. Anos depois, o governo decidiu abandonar definitivamente o modal e substituí-lo pelo BRT (Ônibus de Trânsito Rápido). Desde então, parte dos materiais permaneceu armazenada sem utilização. Os últimos vagões do VLT foram vendidos e transferidos à Bahia entre 2024 e 2025. Ao todo, os 40 vagões foram negociados por R$ 793,7 milhões.
Novo transporte e desafios
O VLT foi projetado para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil e foi marcado por corrupção e entraves judiciais. A obra previa 22 quilômetros de extensão entre Cuiabá e Várzea Grande. Em dezembro de 2014, as obras foram interrompidas. Em 2018, o governo do estado rompeu o contrato com o consórcio VLT e, depois, decidiu substituir o modal pelo BRT. Em junho de 2025, o estado assinou a ordem de serviço para o início das obras do BRT. Desde então, a capital e região metropolitana enfrentam interrupções no trânsito e caos nas principais vias da cidade. Apesar da obra em andamento, não há prazo para a entrega do novo transporte.



