Explosão no Jaguaré deixa mortos e feridos
Uma explosão causada por vazamento de gás no bairro do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, resultou em mortes, feridos e destruição em larga escala. Entre os sobreviventes, o pedreiro Osmar Braz foi arremessado para fora de sua residência pela força da onda de choque. Em entrevista exclusiva ao Fantástico, ele detalhou o momento do acidente, ocorrido por volta das 16h durante uma obra que atingiu uma tubulação de gás.
O relato do sobrevivente
Osmar descreveu a violência do impacto: “Foi muito alto, muito alto mesmo. Aí ficou tudo em silêncio. Fui jogado de costas. Quando eu estava de costas, eu senti alguém me puxando pelos pés, me jogando para fora”. Ele recorda a sensação de estar voando sem controle: “Quando eu desci, eu estava voando. Aí eu vi o fio, tentei me segurar, não consegui. Quando caí no chão, vi aquele pó, vidro caindo, parede caindo”. Mesmo no chão, teve dificuldades: “Mandaram eu correr, mas eu caí de novo. Eu não conseguia sentir as pernas”.
Lesões e trauma psicológico
O pedreiro sofreu fratura em duas vértebras e ainda se recupera. Além das dores físicas, enfrenta dificuldades para dormir e lidar com o trauma: “Eu fecho o olho e vejo aquela imagem. Tinha minha casinha, tinha minha vida. Tinha meu lar. Não tenho mais. Vou fazer o que agora?”. Seu maior medo é não conseguir retornar ao trabalho devido às sequelas: “Quero ficar bom, quero poder trabalhar. Meu medo é não poder fazer mais as coisas”.
Contradições sobre a evacuação
Osmar afirma ter alertado um operário da Sabesp antes da explosão: “Tinha um rapaz de azul, acho que ele trabalhava lá. Aí eu falei: ‘ô moço, que cheiro forte é esse?’ Aí, ele: ‘é gás. Não acende fósforo, não acende nada elétrico, essas coisas, tá?’”. A Sabesp declarou que os operários seguiam o planejamento técnico e, ao perceberem a fuga de gás, agiram de imediato, acionando o protocolo de segurança e pedindo evacuação. No entanto, Osmar contesta: “Não. Ele não pediu para eu sair de casa”. Ele acredita que, se houvesse cuidado, não teria perdido dois amigos. A Sabesp afirmou que precisa averiguar as imagens para entender o ocorrido. A Comgás, por sua vez, informou que acidentes dessa magnitude envolvem múltiplos fatores.
Destruição e assistência às vítimas
A explosão atingiu uma área de cerca de 2 mil metros quadrados, afetando mais de 100 residências. Duas pessoas morreram, incluindo um vigilante. Imagens anteriores ao acidente mostravam bolhas em uma poça de lama, indicando vazamento de gás. Especialistas apontam que a alta concentração do gás favoreceu a combustão. A área segue interditada para perícia, com uso de drones e scanners. As concessionárias Sabesp e Comgás arcarão com auxílio de R$ 5 mil e custos de moradia das famílias. O estado propôs opções de habitação definitiva, como mudança para conjunto habitacional, reconstrução no local ou carta de crédito. Os desabrigados estão em casas de parentes ou hotéis cedidos pelo governo.



