Segurança vítima de racismo em rodeio em Guaíra pede que caso não fique impune
Segurança vítima de racismo em rodeio pede justiça

Márcia Cristina, segurança que foi vítima de injúria racial e racismo em uma publicação nas redes sociais, manifestou esperança de que o caso não fique impune. O episódio ocorreu durante a madrugada de sexta-feira (15), quando Thaile Rodrigues Pereira Fortunato, de 24 anos, gravou um vídeo com falas discriminatórias contra Márcia após um desentendimento no rodeio de Guaíra (SP).

As declarações repercutiram amplamente nas redes sociais, levando Márcia a registrar um boletim de ocorrência. A Polícia Civil investiga os crimes de injúria racial e racismo, já que Thaile também proferiu ofensas contra a população negra de forma geral.

Reação da vítima

Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, a segurança contou que se sentiu ofendida ao assistir ao conteúdo. "Eu sou preta, mas preto e branco, a gente vai para o mesmo lugar. Não é porque eu tenho um pouquinho de dinheiro a mais que eu vou discriminar outra pessoa, nós não devemos fazer isso, temos que ter respeito. No meu serviço, eu trabalho com muito respeito. Não estou ali brincando", afirmou.

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Márcia disse que recebeu apoio da organização do rodeio e procurou a polícia para denunciar Thaile. Um inquérito foi instaurado e o caso está sob investigação. "Eu espero que esse caso sirva de exemplo para muitas pessoas, porque tem muitos racistas na cidade e a gente é muito discriminada por causa da cor da pele. Eu acho isso injusto, é uma revolta muito grande. Não dá pra ficar impune, não", completou.

O desentendimento

Segundo Márcia, tudo começou na madrugada de sexta-feira, durante o rodeio, quando Thaile tentou passar por uma área interditada para acessar mais rapidamente o estacionamento onde estava seu carro. "Me deram uma ordem para não deixar passar ninguém, não descer e nem subir. Ela veio ‘moça, eu posso descer pra pegar meu carro?’ Falei ‘não pode’. ‘Por quê?’ falei ‘porque aqui não desce ninguém nem sobe’. Aí ela falou ‘meu carro está aqui perto’, eu falei ‘moça, eu tenho ordem do meu superior que não é para descer ninguém aqui, não pode passar’. Aí ela virou as costas e saiu. No outro dia, vi a postagem dela", relatou.

Manifestação da organização

Cleber Ferreira, advogado da Associação Arena e Eventos, responsável pela 31ª edição do rodeio de Guaíra, afirmou que acompanha os desdobramentos de perto. "Quando a gente soube dos fatos, de imediato, já chamou a pessoa que sofreu essa injúria, fizemos todo o acompanhamento dela, a realização do boletim de ocorrência e estamos acompanhando os fatos. Queremos que isso seja realmente levado a cumprir a lei como a lei determina", declarou.

Repercussão e pedido de desculpas

No vídeo publicado, Thaile utilizou falas discriminatórias ao comentar o desentendimento: "Estou pensando aqui, tem uns pretos que têm autoestima de branco, não tem base. Vocês acreditam que o meu carro estava estacionado em frente ao palco, a segurança não veio embaçar comigo? Porque eu acho que ela não gostou de mim. Mesmo com a pulseira, com tudo bonitinho, ela ia me tirar do sério e eu tive que ofender ela. Ela veio falar que eu não presto. Se eu pudesse, não deixava existir nenhum tipo de gente dessa cor. Deus me livre", publicou.

Após a repercussão negativa, Thaile publicou um novo vídeo horas depois, pedindo desculpas e desativou seu perfil nas redes sociais. A defesa dela não foi localizada para comentar o assunto até a última atualização desta reportagem.

Segundo o delegado Rafael Domingos, responsável pelo caso, o conteúdo passou a circular amplamente em redes sociais e aplicativos de mensagens, provocando indignação. A legislação prevê pena de dois a cinco anos de prisão para casos de racismo praticados por meio da internet.

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