Família usa porta como maca após espera de 2h30 por Samu em acidente de moto em RO
Porta vira maca após 2h30 de espera por Samu em acidente em RO

Família improvisa maca com porta após longa espera por socorro médico em Porto Velho

Uma situação dramática de desamparo no sistema de emergência médica foi registrada na Zona Leste de Porto Velho, Rondônia, na última quarta-feira (11). A jovem Ana Karolina, de apenas 18 anos, precisou ser transportada para uma unidade de saúde em cima de uma porta, após sua família aguardar mais de duas horas e meia por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que nunca chegou ao local do acidente.

Acidente em via alagada leva a colisão contra poste

O incidente ocorreu quando Ana Karolina e seu marido trafegavam de motocicleta pela avenida Petronila, no bairro Mariana, durante um período de chuva intensa. Segundo relatos do pai da vítima, um veículo que estava à frente freou bruscamente, obrigando o casal a realizar uma manobra evasiva.

Na tentativa de desviar, a motocicleta passou por um buraco na via e, em seguida, colidiu violentamente contra um poste. Enquanto o marido sofreu apenas escoriações leves, a situação de Ana Karolina era muito mais preocupante: ela relatava imediatamente após o acidente que não sentia as pernas, sintoma que alarmou familiares e testemunhas presentes no local.

Frustração com sistema de emergência

O pai da jovem descreveu com angústia os múltiplos pedidos de socorro que não foram atendidos: "Minha filha ficou jogada dentro da lama. Chamaram o Samu, chamaram os bombeiros, chamaram a polícia e ninguém apareceu. Isso durou mais de duas horas e meia. Também liguei e ninguém foi".

Diante da absoluta falta de resposta dos serviços de emergência, a família tomou uma decisão extrema: improvisar um transporte utilizando recursos disponíveis. Eles colocaram a jovem em cima de uma porta e a transportaram até o Pronto Atendimento Municipal José Adelino da Silva, localizado no bairro Ulisses Guimarães, utilizando o carro e a carreta de trabalho do pai.

Transporte improvisado e desfecho médico

Um vídeo que circula nas redes sociais registra o momento em que o pai chega à unidade de saúde carregando a filha na improvisada maca de porta. A cena chocante ilustra a precariedade enfrentada por cidadãos em situações de emergência quando os sistemas públicos falham.

Após finalmente receber atendimento médico, Ana Karolina passou por exames e, felizmente, recebeu alta na quinta-feira (12). O caso levanta sérias questões sobre a eficiência do sistema de emergência na capital rondoniense.

Silêncio das autoridades

O portal g1 entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) de Porto Velho para obter esclarecimentos sobre as razões da demora no atendimento e a ausência da ambulância solicitada. Até o fechamento desta matéria, a secretaria não havia se manifestado sobre o ocorrido, deixando sem resposta as preocupações da família e da comunidade sobre a qualidade dos serviços de emergência médica na região.

Este incidente revela uma vulnerabilidade crítica no sistema de saúde pública local, onde cidadãos em situação de emergência precisam recorrer a soluções improvisadas e potencialmente perigosas devido à falta de resposta adequada dos serviços designados para esse fim.