Padre presta assistência religiosa em cena trágica de acidente na BR-386
Um sacerdote de 27 anos tornou-se uma presença reconfortante em meio à tragédia que ocorreu na BR-386, em Carazinho, na Região Norte do Rio Grande do Sul. Na segunda-feira (13), uma colisão frontal entre um automóvel e um caminhão, no quilômetro 165 da rodovia, resultou na morte de uma mãe e seu filho, identificados como Helena Lúcia Damiani, de 81 anos, e Evandro Luís Damiani, de 61 anos, que conduzia o veículo.
Presença divina no momento do impacto
O padre Émerson Romitti, pertencente à Diocese de Frederico Westphalen, encontrava-se retornando de Passo Fundo, onde acompanhava sua mãe internada, quando testemunhou o acidente. "Eu ia prestando atenção na via e de repente escutei aquele barulho de freada, aquele barulho estrondoso de lata", relatou o sacerdote, que conseguiu desviar e parou imediatamente após o local da colisão com o propósito de oferecer auxílio.
Ao se aproximar, Romitti percebeu a gravidade extrema da situação. Como homem de fé, decidiu ministrar a unção dos enfermos à mãe e ao filho, mesmo diante das circunstâncias críticas. "Tinha no carro a estola, os santos óleos e o livro que contém o rito", revelou o padre, destacando que, além da extrema unção às vítimas fatais, também ofereceu a bênção da saúde ao caminhoneiro e seu ajudante.
Rito sagrado antes da chegada dos socorros
Segundo o relato emocionante do sacerdote, no momento em que ele chegou ao local, as equipes de resgate ainda não haviam sido acionadas. A ambulância e a polícia só começaram a ser chamadas após o término das orações, evidenciando a prontidão espiritual do padre em um cenário de desespero.
Romitti explicou que a missão fundamental do sacerdote é "salvar as almas". "A extrema unção tem esse intuito que é aliviar o corpo nos momentos de doença ou na beira-morte e salvar a alma, preparar, perdoar os pecados, purificar também o corpo das suas enfermidades", afirmou. Embora a Igreja preveja que o sacramento seja ministrado a pessoas ainda vivas, o padre justificou sua ação pela incerteza sobre o instante exato da morte, considerando o impacto recente.
Experiência única e conforto para a família
Esta foi a primeira vez que o sacerdote vivenciou uma situação tão extrema fora de um ambiente hospitalar ou residencial. "Estava bem nervoso, literalmente tremia, mas depois eu me acalmei porque a sensação é de uma graça que Deus me deu a oportunidade, por meio do meu sacerdócio, de garantir a salvação àqueles que ali estavam", confessou Romitti, que na ocasião vestia sua batina, traje comum em sua diocese.
Posteriormente, o padre soube que Helena, a mulher que faleceu no acidente, era ministra da Eucaristia e católica praticante, assim como seu filho Evandro. "Para a família foi um grande conforto", expôs Romitti, que ainda destacou a coincidência significativa: o acidente ocorreu no mesmo dia em que completou um ano e quatro meses de sua ordenação sacerdotal.
A tragédia na BR-386 deixou marcas profundas, mas a atitude compassiva do padre Émerson Romitti ofereceu um lampejo de consolo espiritual em meio ao caos, reforçando o papel da fé em momentos de extrema adversidade.



