Socorristas denunciam que motoristas ignoram sirenes e bloqueiam ambulâncias no Rio
Motoristas bloqueiam ambulâncias no Rio, dizem socorristas

Socorristas enfrentam obstáculos no trânsito carioca ao tentar salvar vidas

Socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na cidade do Rio de Janeiro estão levantando um alerta grave sobre o comportamento de motoristas que, de forma crescente, têm dificultado ou até impedido a passagem de ambulâncias durante deslocamentos de emergência. Essa situação, que viola claramente o Código de Trânsito Brasileiro, está se tornando um problema cotidiano e caótico, colocando vidas em risco e atrasando atendimentos médicos urgentes.

Treinamento revela realidade alarmante nas ruas

Para ilustrar essa realidade preocupante, uma reportagem acompanhou um treinamento dentro de uma ambulância, onde foi possível constatar que, mesmo com sinais sonoros e luminosos totalmente ativados, a equipe enfrentou sérias dificuldades em diversos pontos da cidade. O Código de Trânsito Brasileiro estabelece de maneira explícita que, ao ouvir a sirene de um veículo de emergência, o motorista deve imediatamente liberar a passagem, sem, contudo, avançar o sinal vermelho.

No entanto, flagrantes registrados pelas próprias equipes do Samu nos últimos meses mostram um aumento significativo das situações em que ambulâncias ficam presas no trânsito durante deslocamentos críticos. Diante desse cenário alarmante, a Secretaria Estadual de Saúde fez um apelo público para que os motoristas redobrem a atenção e colaborem efetivamente com o trabalho dos socorristas, que atuam sob pressão para salvar vidas.

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Pontos críticos identificados em toda a cidade

Durante o trajeto acompanhado pela reportagem, os problemas começaram logo no início da jornada. Ao sair da base localizada na Cidade Nova, a ambulância encontrou dificuldades imediatas para atravessar a movimentada Avenida Presidente Vargas. No Viaduto dos Marinheiros, outro ponto de retenção foi registrado, demonstrando que o problema não se limita a áreas específicas.

Segundo os profissionais de saúde, entre os principais locais onde há mais dificuldade para a passagem de ambulâncias estão bairros como Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Itanhangá e Muzema. No Centro da cidade, os gargalos incluem a Avenida Rio Branco, o entorno da Candelária e a região da Leopoldina. Na Zona Norte, áreas próximas ao Maracanã e ao Engenhão em dias de jogos também concentram retenções frequentes, além de bairros da Zona Sul em horários de entrada e saída de escolas, onde o fluxo de veículos é intenso.

Casos específicos de desrespeito e infrações

Em situações flagrantes, como na Estrada dos Três Rios, em Jacarepaguá, mesmo com a sirene ligada em alto volume, motoristas simplesmente não abriram passagem para a ambulância. Em outro ponto crítico, na Avenida das Américas, um motociclista aproveitou o espaço aberto para ultrapassar a ambulância, demonstrando total desconsideração pela emergência. Para tentar avançar e cumprir sua missão, a equipe precisou recorrer à faixa exclusiva do BRT – uma manobra permitida para veículos de emergência, mas considerada irregular para os demais motoristas.

Impedir ou dificultar a passagem de ambulâncias é classificado como uma infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e a aplicação de sete pontos na carteira de habilitação. A Guarda Municipal informou que atua de forma contínua para coibir esse tipo de irregularidade durante o patrulhamento rotineiro e que pode realizar escolta de ambulâncias quando solicitado formalmente.

Já a CET-Rio afirmou que mantém uma operação diária para garantir a fluidez do trânsito na cidade e que seus agentes também estão preparados para auxiliar na passagem de veículos de emergência sempre que necessário, reforçando a importância da colaboração de todos os usuários das vias.

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