Motorista embriagado vai a júri por atropelar mãe e filha em Cosmópolis
Motorista embriagado vai a júri por atropelar mãe e filha

Motorista embriagado vai a júri popular por atropelamento grave de mãe e filha em Cosmópolis

A Justiça de Cosmópolis, no interior de São Paulo, determinou que o motorista acusado de atropelar uma mulher de 33 anos e sua filha de 9 anos, enquanto dirigia embriagado e sem habilitação, será submetido a um júri popular. O acidente, que deixou ambas as vítimas em estado grave, ocorreu no dia 29 de maio de 2025 e foi capturado por câmeras de segurança, revelando cenas chocantes que viralizaram nas redes sociais.

Detalhes do acidente e fuga do motorista

O caso aconteceu por volta das 19h30 na Avenida da Saudade, em Cosmópolis. Segundo a denúncia do Ministério Público, Hélio José Padela dirigia um Renault Clio branco com uma concentração de álcool no sangue igual ou superior a 6 decigramas por litro, conforme laudo pericial. Ele estava em alta velocidade quando atingiu a traseira de uma moto Honda Biz, onde estavam a mãe e a filha.

Testemunhas e imagens de segurança mostram que, após a colisão, o motorista não freou e ainda passou por cima da garota de 9 anos, que já estava caída no asfalto. Hélio fugiu do local imediatamente após o atropelamento, mas foi preso posteriormente em sua própria residência pela Guarda Civil Municipal.

Sinais de embriaguez e consumo de drogas

No momento da prisão, os agentes da Guarda Municipal relataram que Hélio apresentava sinais claros de embriaguez, incluindo forte odor de álcool e fala pastosa. Ele confessou ter ingerido bebida alcoólica antes do acidente. Além disso, os guardas constataram que ele não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e encontraram em sua casa microtubos vazios que indicavam consumo de entorpecentes, como cocaína.

A mãe das vítimas, que sofreu fraturas no punho, na coluna e na região axilar, permaneceu internada por 12 dias e necessita de fisioterapia. Sua filha, por sua vez, sofreu traumatismo craniano e fraturas no braço e no pé, sendo transferida para o Hospital de Clínicas da Unicamp para tratamento intensivo.

Justificativa para o júri popular e acusações

O juiz Luis Fernando Grando Pismel, da 1ª Vara Judicial de Cosmópolis, justificou a decisão de enviar o caso a júri popular ao afirmar que existem elementos suficientes para indicar dolo eventual, e não mera culpa. Isso significa que o réu teria assumido o risco de causar um acidente grave ao dirigir embriagado e sob efeito de drogas.

Hélio será julgado por duas tentativas de homicídio qualificado, com agravantes como o uso de meio que resulta em perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Ele também responde por embriaguez ao volante e fuga do local do acidente.

Defesa do réu e alegações contraditórias

Em interrogatório, Hélio admitiu ter consumido quatro latas de cerveja e cocaína no dia do acidente, após oito anos de sobriedade, alegando crises pessoais devido a uma separação conjugal. Ele afirmou que dirigia sem habilitação por possuir um impedimento médico e que trafegava a 40 km/h quando a moto à sua frente realizou uma manobra à esquerda sem dar seta, impossibilitando a parada a tempo.

O réu também disse que não teve intenção de causar o acidente e não visualizou o atropelamento da criança, fugindo do local por medo de agressões de motoboys que o cercaram e apedrejaram seu carro. A defesa pediu absolvição, apontando culpa exclusiva da vítima, contradições em depoimentos e falta de provas, mas a Justiça rejeitou esses argumentos, mantendo a acusação.

O caso segue agora para o júri popular, onde a sociedade de Cosmópolis terá a oportunidade de decidir sobre a responsabilidade do motorista, em um exemplo marcante dos perigos da combinação entre álcool, drogas e direção.