Mortes no trânsito em SP sobem 5,6% no quadrimestre; pedestres e motociclistas são as maiores vítimas
Mortes no trânsito em SP sobem 5,6% em 2026

Aumento de mortes no trânsito em São Paulo no primeiro quadrimestre de 2026

Logo após sair do trabalho em uma loja de conveniência, Elizete da Silva Santos, de 36 anos, tentou usar a faixa de pedestres para atravessar a avenida Luiz Dumont Villares, na zona norte de São Paulo. Infelizmente, ela não conseguiu chegar ao outro lado da via. Morreu após ser atropelada por um motorista de 19 anos, que não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Mortes de pedestres, como a de Elizete no último dia 11 de abril, contribuíram para elevar as estatísticas da violência no trânsito da cidade de São Paulo. Dados do Infosiga, sistema estadual que mede a letalidade no trânsito paulista, divulgados na tarde desta segunda-feira (18), revelam que o número de óbitos no primeiro quadrimestre deste ano é 5,6% maior do que no mesmo período de 2025, passando de 284 para 300 casos.

No mesmo período, a frota de veículos registrada na cidade cresceu apenas 1%, segundo o Ministério dos Transportes. Motociclistas e pedestres foram as maiores vítimas no quadrimestre passado, com 135 casos (alta de 5,5%) e 130 casos (aumento de 12,1%), respectivamente.

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Somente em abril, 76 pessoas morreram nas ruas e avenidas do município, número igual ao de março e superior aos meses de janeiro e fevereiro. Juntos, pedestres atropelados e motociclistas representaram quase 90% dos óbitos do mês passado.

Ações da prefeitura e da CET

Em nota, a gestão Ricardo Nunes (MDB) afirma que, por meio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), realiza ações contínuas para ampliar a segurança do sistema viário e reduzir acidentes. Entre as principais iniciativas, destaca-se a faixa azul, sinalização exclusiva para motos, com 233,3 km em 46 vias, beneficiando cerca de 500 mil motociclistas por dia. A meta é alcançar 400 km até 2028, mas o município ainda aguarda liberação da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para retomar a sinalização, que está parada.

O Ministério dos Transportes está analisando dados do projeto-piloto da faixa azul, implantado inicialmente na cidade de São Paulo, mas que já é testado em outros municípios. Em nota, o governo federal afirmou que, após o prazo de realização do estudo experimental, a Senatran formalizou a todas as cidades onde essa sinalização estava autorizada que encaminhassem seus relatórios finais até o último dia 30. A cidade de São Paulo apresentou a documentação no prazo e o relatório está sob análise dos técnicos da pasta, sem prazo para conclusão. "Os municípios foram autorizados a manter a sinalização ativa até que houvesse decisão final da Senatran para a continuidade da condição experimental ou para a regulamentação definitiva da matéria", diz a Senatran.

Sobre atropelamentos, a administração municipal afirma que há intervenções em pontos com maiores índices de acidentes. Também cita investimentos em áreas calmas, onde o limite de velocidade é de 30 km/h, e rotas escolares seguras. Além de ampliar o tempo de travessia, de faixas de pedestres e das travessias elevadas, bem como a implantação de minirrotatórias e frentes seguras para motos nos semáforos, como ações que aumentam a visibilidade e a segurança viária.

"A CET também monitora diariamente os acidentes e reforça a fiscalização com equipes em campo, presença de agentes em cruzamentos, uso de equipamentos eletrônicos e painéis informativos, além da realização de campanhas educativas", diz a nota. Uma dessas campanhas é a do Maio Amarelo, em que a CET preparou uma programação com atividades educativas direcionadas a motoristas, pedestres, motociclistas e ciclistas.

Análise de especialistas

Diogo Lemos, coordenador executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, diz que os números da cidade de São Paulo ainda precisam ser analisados com cautela antes de se apontar uma tendência consolidada em 2026. "No entanto, o cenário é preocupante, porque os principais grupos atingidos seguem sendo justamente os mais vulneráveis no trânsito paulistano", afirma, citando motociclistas e pedestres. "E isso dialoga diretamente com os principais fatores de risco associados às mortes graves no trânsito urbano, especialmente excesso de velocidade e combinação entre álcool e direção."

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Lemos afirma que a segunda metade da "Década de Ação pela Segurança no Trânsito", que prevê redução de 50% no número de mortes no trânsito, deveria representar aceleração das políticas públicas, principalmente após a aprovação do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), instituído em 2018, que estabeleceu compromissos para todas as esferas administrativas. "O que se esperava da cidade de São Paulo era um tratamento mais abrangente e prioritário da segurança viária, integrando fiscalização, gestão de velocidades, comunicação pública, desenho viário seguro e proteção dos usuários vulneráveis", afirma ele. "A cidade chegou a construir um plano de segurança viária anos atrás, mas muitas dessas diretrizes acabaram perdendo centralidade ao longo do tempo."

Estado registra queda nos números gerais

Os novos dados do Infosiga mostram que, no geral do estado, no acumulado do ano houve queda de 5,5% nas mortes, na comparação com os quatro primeiros meses de 2025. Entretanto, com 460 casos em 2026, houve alta de 2,2% no número de óbitos por atropelamento, também na comparação entre períodos. No mês passado, a violência no trânsito matou 486 pessoas no estado de São Paulo, 0,4% a mais que em abril de 2025.

Em nota, o Detran paulista afirma que o governo de São Paulo elaborou seu Plano de Segurança Viária, publicado recentemente, que tem como principal objetivo reduzir pela metade o número de mortes no trânsito até 2030. "O documento, inédito no país, estabelece diretrizes integradas de educação, fiscalização, engenharia e gestão de dados, com foco nos usuários mais vulneráveis das vias, como pedestres, ciclistas e motociclistas", afirma.

Ainda conforme o órgão de trânsito, a programação planejada para o Maio Amarelo inclui ações com foco nos pedestres, com atividades em todo estado pautadas na campanha "Sinal de Respeito", lançada em 2024 para conscientizar pedestres e condutores sobre a importância da travessia segura e do respeito à faixa de pedestres. "De janeiro a abril deste ano, o Detran-SP aumentou em 106% as ações educativas e ampliou em cerca de 10% as operações de fiscalização voltadas ao combate à alcoolemia, na comparação com o mesmo período de 2025", afirma.