Mãe de Kauã Guedes pede justiça em audiência após acidente fatal em Fortaleza
Mãe de Kauã Guedes pede justiça em audiência após acidente

Mãe de Kauã Guedes se emociona em audiência e pede justiça por filho morto em acidente

Em um depoimento emocionante realizado nesta sexta-feira (30), Maria Verônica Irineu de Oliveira, mãe do jovem Kauã Guedes, pediu justiça pelo filho que perdeu a vida em um trágico acidente de trânsito ocorrido em Fortaleza. Durante a audiência de instrução do processo, ela revelou que era Kauã quem a acompanhava nas sessões de radioterapia para tratamento de câncer, que terminou há apenas quatro dias.

“Que Deus o perdoe. Eu perdoo ele, mas ele tem que pagar, porque ele acabou com a minha vida. Eu ainda estou fazendo tratamento de câncer. Quem ia comigo era o meu filho”, declarou Maria Verônica, referindo-se ao empresário Rafael Elisario Ferreira, acusado pelos crimes.

Detalhes do acidente que chocou Fortaleza

O acidente fatal aconteceu no dia 18 de junho, no cruzamento da rua República do Líbano com a rua Osvaldo Cruz, no bairro Meireles, em Fortaleza. Kauã Guedes, de 18 anos, estava em uma motocicleta com o amigo Igor Lima da Silva quando foram atingidos por um Ford Ranger dirigido por Rafael Elisario.

Segundo laudos da Perícia Forense, o empresário trafegava a mais de 98 km/h em uma via onde o limite de velocidade era de apenas 30 km/h, ou seja, três vezes acima do permitido. O veículo avançou a preferencial e atingiu a moto, arrastando Kauã por mais de 20 metros antes de parar. Igor foi arremessado e ficou gravemente ferido, mas sobreviveu.

Conduta do acusado e investigações policiais

Após o acidente, Rafael Elisario procurou abrigo em um condomínio e não prestou socorro às vítimas, conforme denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE). A Polícia apreendeu em seu carro dois papelotes de cocaína, latas de cerveja e comprimidos psicotrópicos, e ele apresentava hálito etílico, fala desconexa e desorientação no momento.

Vídeos de câmeras de segurança mostram o empresário trafegando em zigue-zague em alta velocidade momentos antes do acidente, quase atropelando uma família. Ele foi preso em flagrante na noite do ocorrido, recusou-se a fazer o teste do bafômetro e ficou em silêncio durante o depoimento. Após pagar fiança de cerca de R$ 15 mil, foi solto e responderá ao processo em liberdade.

Evolução das acusações e histórico do veículo

Inicialmente, Rafael foi autuado por lesão corporal culposa no trânsito, mas após a morte de Kauã, a investigação passou a incluir homicídio doloso. A Justiça aceitou denúncia por homicídio qualificado com dolo eventual, onde o réu assume o risco de matar, e também por tentativa de homicídio contra Igor Lima.

O Ministério Público destacou que a picape do empresário acumula 24 multas em pouco mais de um ano, sendo 16 por excesso de velocidade. “Ao avançar na via preferencial em alta velocidade, o denunciado criou uma situação de absoluta imprevisibilidade e impossibilidade de reação por parte das vítimas”, afirmou a denúncia.

Apelo da mãe por justiça e impacto familiar

Maria Verônica reforçou seu apelo durante a audiência: “Eu quero que ele [Rafael] viva muito e que ele pague pelo que ele fez, porque se ele me der todo o dinheiro do mundo, não vai trazer de volta a vida do meu filho”. Ela também questionou a tragédia: “Eu fiquei me perguntando por que ele não morreu, eu fiquei questionando: ‘Senhor, por que ele não bateu no muro e não morreu? Teve que fazer essa tragédia’”.

Kauã havia ido a uma lanchonete próximo à avenida Beira-Mar com amigos e estava voltando para casa quando o acidente ocorreu. Ele chegou a ser levado a um hospital, mas morreu horas depois. O processo contra Rafael Elisario foi remetido para a 4ª Vara do Júri de Fortaleza, onde aguarda julgamento.