Um laudo anual realizado por uma empresa particular no condomínio Reserve Altiplano I, em João Pessoa, revelou problemas graves nos elevadores, incluindo o uso de fita isolante na corrediça de um dos equipamentos e a falta de freios de segurança em outro. O documento, ao qual o g1 teve acesso, foi elaborado entre os dias 14 e 15 de janeiro de 2026, antes do acidente que ocorreu nesta semana e que deixou uma mulher paraplégica e duas crianças feridas.
Problemas apontados no laudo
De acordo com o Relatório de Inspeção Anual (RIA), a fita isolante foi utilizada devido ao desgaste das corrediças em um elevador do Bloco B. A prática foi classificada como um defeito que precisava ser corrigido, com a substituição das corrediças. Não foi possível confirmar se esse elevador era o mesmo envolvido no acidente ou se o problema foi solucionado após o laudo.
Outro problema identificado foi a não conformidade do sistema de freios de segurança em um elevador diferente. O relatório apontou que uma mola do freio estava com pouca pressão e não havia contato do freio de segurança. Esse problema foi classificado como de alta prioridade, exigindo correção urgente. Também não se sabe se o elevador onde a mulher caiu apresentava essa falha.
Decisão judicial
A juíza Shirley Abrantes, da 8ª Vara Cível de João Pessoa, considerou o laudo em sua decisão e determinou que a construtora GGP substitua integralmente os elevadores do local, sob pena de multa. A magistrada destacou que os vícios não são meramente estéticos ou decorrentes de mau uso, mas falhas graves de projeto e instalação, atraindo a responsabilidade da construtora com base no Art. 618 do Código Civil e no Art. 20 do CDC.
A construtora terá que contratar uma perícia e realizar uma vistoria, e a troca dos equipamentos deverá ser concluída em até 90 dias. A empresa também deverá apresentar um cronograma das obras e poderá pagar multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
Elevadores interditados
A Defesa Civil de João Pessoa interditou 11 elevadores do residencial Reserve Altiplano 2, empreendimento vizinho e da mesma construtora, nesta sexta-feira (15). Na quinta-feira (14), os elevadores do condomínio onde ocorreu o acidente já haviam sido interditados. A interdição foi motivada por pedido do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (CREA-PB).
Acidente e consequências
O elevador despencou do terceiro andar na quarta-feira (13), com uma mulher de 36 anos e seus dois filhos, de 3 e 5 anos, dentro da cabine. A mulher sofreu lesão na coluna e ficou paraplégica. Ela passou por cirurgia no Hospital Nossa Senhora das Neves e está estável. As crianças, com ferimentos leves, receberam alta do Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa.
Moradores realizaram o resgate antes da chegada do Samu e do Corpo de Bombeiros. A mulher é natural do Suriname, mas reside na Holanda, e se mudou para João Pessoa com os filhos por gostar do clima da cidade.
Ações anteriores
O condomínio já havia processado a construtora GGP antes do acidente, relatando problemas como incêndio no fosso do elevador do Bloco B, queda abrupta de um elevador no Bloco D, travamentos e falhas nos sistemas de segurança. Em janeiro de 2025, a Justiça determinou a troca dos elevadores, mas a construtora recorreu, e o processo segue em andamento.



