Justiça obriga empresa de transporte escolar a regularizar jornada em Campinas
Justiça obriga empresa de transporte a regularizar jornada

Uma decisão liminar da Justiça do Trabalho determinou que a Rhema Mobilidade Ltda., empresa que opera transporte escolar em Campinas e integra o consórcio vencedor de um dos lotes da licitação do transporte público, regularize imediatamente a jornada de trabalho de seus empregados, sob pena de multa. A medida foi tomada no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), após investigações apontarem o descumprimento recorrente de normas trabalhistas.

Investigação do MPT

Segundo o MPT, os empregados eram submetidos a jornadas de trabalho de até 14 horas diárias, sem o cumprimento dos intervalos de interjornada e intrajornada. O órgão destacou que o padrão sistemático de desrespeito às normas trabalhistas colocava em risco a saúde e a segurança dos trabalhadores e passageiros. Além disso, a empresa demonstrou resistência durante a investigação, seja para apresentar documentos ou atender notificações.

Decisão judicial

Em sua decisão, a juíza Juliana Vieira Alves determinou que a Rhema Mobilidade deve cumprir as seguintes obrigações:

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  • Limitar as horas extras a no máximo 2 horas por dia (ou até 4 horas para motoristas, quando houver acordo coletivo), respeitando a jornada total de até 10 ou 12 horas;
  • Garantir ao menos 11 horas de descanso entre uma jornada e outra;
  • Conceder intervalos para descanso e alimentação, sendo no mínimo 1 hora para jornadas acima de 6 horas e 15 minutos para jornadas entre 4 e 6 horas.

Em caso de descumprimento, foi fixada multa de R$ 1 mil por trabalhador encontrado em situação irregular, a cada fiscalização.

Justificativa da juíza

Ao justificar a concessão da liminar, a juíza Juliana Vieira Alves destacou o risco imediato à saúde e à segurança dos trabalhadores. “Esperar o desfecho do processo para, só então, impor o cumprimento de normas básicas de saúde e segurança seria o mesmo que anuir com a exposição diária de dezenas de trabalhadores e de terceiros a um risco grave, iminente e, muitas vezes, irreparável”, afirmou.

Posicionamento da empresa

O g1 procurou a Rhema Mobilidade para comentar a decisão judicial, e a empresa informou apenas que ainda não foi notificada da decisão.

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