A Justiça de Iguape, no litoral de São Paulo, decidiu pela internação de um adolescente de 16 anos na Fundação Casa por até três anos, após ser acusado de participar de um trote violento contra calouros do curso de agropecuária da Escola Técnica Estadual (Etec) Engenheiro Agrônomo Narciso de Medeiros. O caso envolve um grupo de veteranos que submeteu os novatos a agressões físicas e humilhações, em um suposto 'juramento de trote'. Além do adolescente internado, outros dois jovens – um menor de 16 anos e Kauê Vinicius Martins Souza, de 18 anos – também foram detidos em março. O segundo menor responderá em liberdade, com medidas socioeducativas.
Decisão judicial detalhada
De acordo com a decisão judicial obtida pelo g1 neste sábado (23), a internação do adolescente na Fundação Casa de Peruíbe (SP) deverá ser revista a cada seis meses. A medida mais severa foi aplicada a apenas um dos menores porque a Justiça considerou que seus atos envolveram violência e grave ameaça. O outro adolescente recebeu liberdade assistida por seis meses e terá que prestar serviços à comunidade pelo mesmo período, podendo recorrer em liberdade. O g1 não conseguiu contato com a defesa dos menores. O Centro Paula Souza (CPS), responsável pela administração da Etec, não informou se o estudante que foi solto retornou à unidade escolar.
Investigação e provas
O caso veio a público depois que a família de uma das vítimas notou um ferimento no peito do calouro, causado por um alicate, quando ele voltou para casa em um fim de semana. A Polícia foi acionada, localizou os envolvidos e os encaminhou à Delegacia de Iguape, onde o crime foi inicialmente registrado como lesão corporal e vias de fato. Durante a investigação, foram apreendidos os celulares dos três indiciados, além de dois alicates e uma faca. Nos aparelhos, os agentes encontraram vídeos que registravam as agressões. As vítimas, ao menos cinco calouros, eram obrigadas a manter silêncio sobre os abusos, que ocorriam principalmente à noite, durante a semana.
Posicionamento da Etec e do CPS
A Etec Engenheiro Agrônomo Narciso de Medeiros divulgou uma nota em suas redes sociais repudiando os fatos. 'Toda unidade escolar foi fortemente atingida pelas notícias. A surpresa e a indignação nos paralisaram por um momento', diz o comunicado, assinado pelo diretor Mauro Sérgio Adinolfi. A escola informou que criou um comitê de crise e afastou imediatamente os três alunos envolvidos. 'Agora enfrentando a realidade dos fatos, foi criado um comitê de crise, que teve como primeira medida, o afastamento imediato dos 3 alunos envolvidos', destacou. A instituição afirmou que acompanha a apuração para 'analisar todas as questões legais, no intuito de solucionar o caso e restabelecer a ordem no âmbito escolar'. A nota acrescentou que os envolvidos já não permanecem no convívio escolar, situação que 'deve trazer tranquilidade e paz aos demais alunos para continuidade de seus projetos educacionais'. O Centro Paula Souza (CPS), por sua vez, informou que apura rigorosamente os fatos para aplicar as medidas legais cabíveis e se colocou à disposição das autoridades. Segundo o CPS, os alunos envolvidos seguirão com atividades remotas até que os trâmites legais sejam concluídos. 'O CPS repudia todo e qualquer ato de violência, dentro ou fora do ambiente escolar, e presta auxílio aos estudantes e suas famílias', concluiu.



