Perseguição da PM termina com jovem atropelado e gravemente ferido em Alvorada, TO
Jovem atropelado por viatura da PM em Alvorada, TO

Perseguição da PM deixa jovem com fraturas graves em Alvorada, Tocantins

O atropelamento de Gustavo Soares Guedes, de 17 anos, por uma viatura da Polícia Militar (PM) gerou comoção e indignação em Alvorada, município localizado no sul do estado do Tocantins. O adolescente sofreu fraturas em ambas as pernas e teve o braço direito esmagado por um poste durante o incidente, que ocorreu após uma perseguição policial. A Polícia Militar alega que o menor fugiu de uma abordagem, perdeu o controle da motocicleta e a equipe não conseguiu parar a viatura a tempo de evitar a colisão.

Dinâmica do acidente e investigações em andamento

A defesa da família e o Ministério Público do Tocantins (MPTO) buscam esclarecer os detalhes do caso, avaliando minuciosamente a conduta dos policiais e a proporcionalidade da força utilizada pelos agentes de segurança pública. A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP) informou que a ocorrência foi registrada na 13ª Central de Atendimento da Polícia Civil de Alvorada, e as investigações estão sob responsabilidade da 92ª Delegacia de Polícia do município.

Como aconteceu o atropelamento e a colisão com o poste?

O acidente ocorreu no Setor Oeste de Alvorada, por volta das 23h da quarta-feira, dia 4 de março. Segundo relatos de testemunhas, após uma intensa perseguição, a motocicleta conduzida pelo adolescente foi atingida pela viatura policial. Em decorrência do impacto, a moto ficou presa sob o veículo oficial, que perdeu o controle e se chocou violentamente contra um poste. Gustavo foi prensado na estrutura, resultando na quebra do poste de concreto, que caiu parcialmente sobre suas pernas e esmagou seu braço direito.

Quem é o adolescente atropelado e a reação da comunidade

Gustavo Soares é estudante do ensino médio em uma escola estadual e trabalha como repositor em um supermercado na cidade de Alvorada. Amigos e familiares descrevem o jovem como uma pessoa esforçada, educada e sempre sorridente. Eles acreditam que ele possa ter se apavorado ao ser abordado, pois havia ganhado a motocicleta recentemente e não possuía habilitação para conduzi-la. A tentativa de abordagem que resultou no atropelamento causou profunda indignação entre os moradores de Alvorada que conhecem o adolescente.

Versão da Polícia Militar sobre o ocorrido

A PM informou que a equipe tentou realizar a abordagem porque Gustavo trafegava na Avenida Bernardo Sayão em alta velocidade e com um veículo de características alteradas. De acordo com a corporação, o condutor desobedeceu à ordem de parada e fugiu realizando manobras perigosas. A PM afirma que o jovem perdeu o controle da moto em um cruzamento e caiu, e a viatura tentou frear, mas não conseguiu evitar a colisão, perdendo o controle e atingindo o poste logo após a motocicleta ficar presa sob o veículo oficial.

Testemunhas e imagens de segurança revelam detalhes

Três testemunhas relataram que Gustavo levava um amigo na garupa quando começou a ser seguido pela viatura. O passageiro desceu da moto e fugiu a pé, enquanto o adolescente acelerou na tentativa de escapar. Imagens de câmeras de segurança registraram a perseguição, mostrando a viatura circulando muito próxima do estudante instantes antes de ele ser prensado contra o poste, o que levanta questões sobre a proximidade e a conduta durante a perseguição.

Estado de saúde atual do adolescente

O estado de saúde de Gustavo é considerado grave. Ele passou por cirurgias nas duas pernas na quinta-feira, dia 5 de março, e segue internado no Hospital Regional de Gurupi. Além das fraturas nas pernas, ele teve o braço direito esmagado pelo poste. Segundo a equipe médica, a extensão total das lesões no braço só poderá ser avaliada após o paciente se estabilizar das cirurgias anteriores, indicando um longo processo de recuperação pela frente.

Acompanhamento do Ministério Público e medidas judiciais

O Ministério Público Estadual (MPTO) instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias da perseguição. O promotor André Felipe Santos Coelho determinou diligências para verificar se os policiais seguiram os protocolos operacionais padrão e se houve uso proporcional da força. O órgão também requisitou perícia na viatura, análise das marcas de frenagem no local e a identificação de todos os militares envolvidos. O MPTO acionou a Corregedoria da PM para avaliar medidas disciplinares e o Conselho Tutelar para acompanhar e proteger a família.

Medidas judiciais adotadas pela família

A família é representada pelos advogados Benito Querido e Claudia Amorim Estevam. A defesa busca imagens adicionais de segurança junto à prefeitura para esclarecer a dinâmica dos fatos. Os advogados informaram que pretendem ingressar com uma representação para a abertura de uma sindicância contra o policial condutor da viatura, visando investigar formalmente sua atuação durante a ocorrência, em busca de responsabilização e justiça.