Greve de rodoviários da Turp afeta 93 linhas em Petrópolis pelo 2º dia
Greve de rodoviários da Turp afeta 93 linhas em Petrópolis

Os rodoviários da empresa Turp seguem em greve pelo segundo dia consecutivo em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. A paralisação, iniciada na segunda-feira (18), afeta 93 linhas de ônibus da cidade nesta terça-feira (19). De acordo com a Polícia Militar, houve escolta para que ao menos três ônibus retomassem a circulação durante a tarde.

Demissões e reivindicações

Segundo os trabalhadores, pelo menos cinco rodoviários foram demitidos pela empresa após o início da paralisação. A nova greve ocorre menos de um mês depois de outra paralisação registrada em abril. Os rodoviários reivindicam a regularização de direitos trabalhistas, como o pagamento do vale-alimentação, que deveria ter sido depositado no dia 15 de maio, além de depósitos do FGTS e repasses do INSS.

Empresa oferece vagas temporárias

Em meio à paralisação, a Turp publicou um anúncio oferecendo vagas temporárias para motoristas. Na publicação, a empresa divulga uma “oportunidade freelance”, com pagamento de diária de R$ 250, além de R$ 30 para alimentação, carga horária de até oito horas por dia e pagamento em até 24 horas após o serviço.

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Rodoviários ouvidos pela reportagem afirmam que a paralisação é uma tentativa de pressionar a empresa a cumprir obrigações trabalhistas. “Virou um círculo vicioso. A empresa faz isso para ganhar tempo. Não tem um órgão fiscalizador para ajudar a gente. Então o jeito de fazer as pessoas verem o que a gente está passando é dessa forma, paralisando para brigar pelos nossos direitos”, disse um trabalhador.

Outro rodoviário afirmou que a categoria não reivindica reajuste salarial. “A gente levanta 3h, 4h da manhã todos os dias para estar ali levando os passageiros e não temos valor nenhum. Não estamos pedindo aumento nem nada. Estamos pedindo só que cumpram com os deveres deles, porque a gente cumpre com o nosso”, declarou.

Posição da Turp

Em nota divulgada às 6h50 desta terça-feira (19), a Turp informou que pessoas que “já não trabalham mais na empresa” estariam hostilizando profissionais contratados e intimidando a retomada da operação. A empresa afirmou ainda que solicitou apoio policial para garantir a circulação dos ônibus e classificou o transporte público como um serviço essencial.

“A Turp Transporte está pedindo o auxílio de força policial para que qualquer pessoa que esteja promovendo desordem e impedindo a retomada do serviço de transporte público ocorra de forma segura”, informou a empresa. A Turp também disse que a paralisação provoca prejuízos financeiros e afeta passageiros que dependem do transporte público, como estudantes, profissionais da saúde, idosos e pacientes em tratamento médico.

Por fim, a empresa afirmou que “todos os pagamentos estão devidamente quitados” e que as negociações relacionadas ao FGTS estão em andamento.

Atuação da CPTrans

A CPTrans informou que notificou formalmente a Turp para que restabeleça a operação do transporte coletivo em Petrópolis. Segundo a companhia, a continuidade da paralisação pode resultar em sanções administrativas, como multa, intervenção no serviço e até a perda da concessão. A empresa operava, até o início da tarde, apenas com alguns ônibus da linha 700, entre Itaipava e Centro.

A CPTrans afirmou ainda que a contratação de motoristas temporários é prevista pela CLT e disse que segue mediando o diálogo entre empresa e trabalhadores para reduzir os impactos à população.

O g1 tentou contato com o Sindicato dos Rodoviários e aguarda retorno.

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