Os furtos de energia elétrica nas cidades de Campinas e Piracicaba atingiram a marca de 1.200 ocorrências apenas nos primeiros três meses de 2025, conforme levantamento da CPFL Paulista. Esse número alarmante revela um crescimento significativo das irregularidades, especialmente em Piracicaba, onde os casos já superam em 11% o total registrado em todo o ano anterior.
Crescimento expressivo em Piracicaba
Em Piracicaba, foram identificadas 154 ligações clandestinas entre janeiro e março de 2025, contra 138 em todo o ano de 2024. Esse aumento de 11,6% acende um alerta para as autoridades e para a concessionária de energia. Já em Campinas, o número de irregularidades no mesmo período chegou a mil, consolidando a região como um dos principais focos de furto de energia no estado.
Energia desviada abasteceria milhares de residências
De acordo com projeções da CPFL, a energia desviada nas duas cidades durante o trimestre seria suficiente para abastecer aproximadamente 14,9 mil residências por mês. O prejuízo financeiro causado por essas fraudes é repassado a todos os consumidores por meio da tarifa de energia, conforme explica Jean Oliveira Santana, gerente de recuperação de energia da CPFL. "Todas as perdas técnicas da distribuição de energia, durante a revisão tarifária, são repassadas um percentual na conta de energia", afirma.
Impacto no bolso do consumidor
O dono de um salão de beleza em Campinas, Bruno Araújo, relata que sua conta de luz chega a R$ 4 mil por mês. Para reduzir os custos, ele investiu na infraestrutura elétrica e adota medidas como desligar o ar-condicionado quando não há clientes. "É toda uma maneira de tentar reduzir o custo com o consumo de energia", diz. A situação ilustra como os consumidores honestos são duplamente afetados: pelos altos custos e pelo repasse das perdas causadas pelos furtos.
Riscos de acidentes e qualidade da energia
Além do prejuízo financeiro, as ligações clandestinas comprometem a qualidade do fornecimento e aumentam os riscos de acidentes graves. Jean Oliveira Santana alerta: "Gera sobreaquecimento na rede, podendo causar incêndios que afetam não só a unidade consumidora irregular, mas também toda a vizinhança". Dessa forma, a prática criminosa coloca em risco a segurança de todos.
Fiscalização e combate às fraudes
A CPFL utiliza sistemas de inteligência para monitorar a rede e detectar anomalias no consumo. As operações de fiscalização contam com o apoio da Polícia Civil. O delegado Marcelo Ferh, da DIG de Campinas, explica: "Os policiais garantem segurança para que os fiscais façam a análise técnica. Havendo indícios, a perícia do Instituto de Criminalística é acionada". O responsável pela fraude, se encontrado no local, é preso em flagrante. A ação conjunta busca coibir essa prática que prejudica toda a sociedade.



